EMS adquire Medley e se posiciona para dominar mercado de canetas emagrecedoras com genéricos mais acessíveis
A farmacêutica brasileira EMS anunciou a compra da Medley, um movimento que consolida sua posição como a maior empresa de genéricos do país. A transação, que ainda depende da aprovação das autoridades reguladoras de concorrência, visa fortalecer a indústria nacional e preparar o terreno para a chegada de versões mais baratas de medicamentos de alto custo, como as populares canetas injetáveis para controle de diabetes e obesidade.
Com a expiração da patente das canetas injetáveis em março, o mercado se prepara para uma avalanche de genéricos e similares. A aquisição da Medley pela EMS é vista por analistas como um passo crucial para ampliar a capacidade produtiva e a oferta de tratamentos mais acessíveis à população brasileira. O mercado global dessas canetas movimenta cerca de R$ 11 bilhões e a expectativa é de um crescimento expressivo com a entrada de genéricos.
Especialistas do setor indicam que a EMS, que já lançou em 2025 uma versão nacional de sua caneta emagrecedora com liraglutida, deve se posicionar fortemente na semaglutida, princípio ativo de medicamentos como o Ozempic, assim que a patente cair. Conforme informação divulgada pela EMS, a transação com a Medley reforça sua estratégia de crescimento, ampliando escala e presença comercial.
Estratégia de Expansão e Fortalecimento da Indústria Nacional
A aquisição da Medley é interpretada como uma estratégia para ampliar a capacidade produtiva e fortalecer a indústria nacional, segundo Mara Machado, CEO do Instituto Qualisa de Gestão e especialista em Saúde Sustentável. Ela destaca que a entrada de genéricos após a expiração de patentes é fundamental para a sustentabilidade do sistema de saúde, pois a concorrência tende a reduzir preços e ampliar o acesso a tratamentos antes inacessíveis.
A EMS informou que a combinação de sua capacidade industrial e portfólio com a força e o reconhecimento da marca Medley visa ampliar o alcance da companhia no mercado. Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, revelou a possibilidade de construção de uma nova fábrica, possivelmente em Manaus, aproveitando os benefícios fiscais da região, que devem permanecer mesmo após a reforma tributária. A empresa já anunciou uma onda de investimentos de R$ 1 bilhão nos próximos anos para expansão de suas fábricas.
Competição Acirrada e Valor da Marca Medley
A EMS superou concorrentes de peso na disputa pela Medley, incluindo gigantes como a indiana Sun Pharma e as brasileiras Hypera, Biolab e Aché, ao oferecer um cheque maior. Marcus Sanchez detalhou que o acordo definitivo para aquisição de 100% das ações da Medley foi assinado com a Sanofi. Ele ressaltou que a Medley é uma das marcas mais conhecidas de medicamentos genéricos no Brasil e uma empresa muito bem administrada.
Este não é o primeiro negócio entre EMS e Sanofi, que em 2023 já haviam negociado a marca Dermacid, de sabonetes íntimos, por R$ 366 milhões. Essa parceria anterior também é vista por analistas como um fator que contribuiu para a escolha da EMS. Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma, considera a marca Medley um ativo importante no segmento de genéricos, construído ao longo dos anos, agregando grande valor à EMS.
Mercado de Genéricos em Ascensão e Impacto na Saúde
Genéricos são medicamentos com os mesmos ingredientes ativos, dosagem e forma farmacêutica que os originais, produzidos após a expiração da patente. Essa equivalência permite a competição, resultando frequentemente em redução de preços e maior acesso para a população.
A unidade da Medley em Campinas, com cerca de 900 funcionários, e a sede da EMS em Hortolândia (SP), a 20 km de distância, representam uma vantagem geográfica benéfica para a eficiência do negócio, segundo o vice-presidente da EMS. A expectativa é de que a unidade da Medley receba investimentos e mantenha seu quadro de funcionários.
Mussolini do Sindusfarma não vê problemas de concentração de mercado na transação, devido à pulverização do segmento de genéricos. Ele aponta que o setor farmacêutico cresce 10% ao ano em faturamento, tendo movimentado R$ 226 bilhões no Brasil em 2025. Desse total, R$ 32 bilhões vieram do mercado de genéricos, que representa 14,4% do setor.