Nova Coalizão Eólica Marinha impulsiona futuro energético do Brasil com potencial de R$ 900 bilhões
Brasília sedia nesta terça-feira (07) o lançamento da Coalizão Eólica Marinha (CEM), uma iniciativa pioneira que congrega empresas, instituições e diversos atores do promissor mercado de energia eólica offshore, ou seja, em alto-mar. O evento ocorre após o governo federal dar um passo decisivo na semana passada ao regulamentar a atividade, abrindo caminho para um futuro energético mais limpo e lucrativo.
A expectativa é que, até 2050, o setor movimente impressionantes R$ 900 bilhões em valor agregado para a economia brasileira, segundo projeções do Banco Mundial. Essa iniciativa surge em um momento crucial, com o país buscando diversificar sua matriz energética e explorar novas fontes de crescimento econômico sustentável.
A regulamentação avançou com a aprovação, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), de diretrizes para o marco legal das eólicas offshore. O governo federal planeja publicar um decreto até maio deste ano, detalhando o processo de concessão de áreas para exploração em alto-mar, o que representa um avanço significativo para a concretização desses projetos.
Potencial Gigante e Criação de Empregos Impulsionados pela Eólica Offshore
A Coalizão Eólica Marinha conta com fundadores de peso, como o Global Wind Energy Council (GWEC), uma referência internacional no setor. Outros integrantes importantes incluem a Ocean Winds (OW), Mingyang, Windar e a brasileira Ocêanica, especializada em soluções submarinas para a indústria de energia offshore. Roberta Cox, diretora-presidente da coalizão, destaca o enorme potencial de geração de empregos e o desenvolvimento industrial que a energia eólica offshore pode trazer ao Brasil.
“Há benefício gigante para o Brasil, sem conflitar com esse panorama de sobreoferta de energia, em alguns momentos. Se o governo liberar essas áreas para estudar eólicas offshore, só vamos começar a entregar energia daqui a oito, dez anos”, afirmou Cox em entrevista. Ela ressalta que o desenvolvimento da infraestrutura e logística para os empreendimentos em alto-mar criará uma vasta cadeia de valor.
Brasil na Vanguarda da Energia Renovável com Metas Ambiciosas
O Ministério de Minas e Energia (MME) estima a criação de até 500 mil empregos até 2050, com um potencial de geração de 1.200 GW distribuídos pelas macrorregiões Nordeste, Sudeste e Sul do país. Roberta Cox considera esses números críveis, reforçando o potencial da energia eólica offshore para transformar o cenário energético nacional. O termo “offshore” refere-se a atividades realizadas em ambientes marinhos localizados em águas interiores sob domínio da União.
Modelos de Concessão e Agências Reguladoras em Discussão
A cessão de uso das áreas para geração de energia elétrica poderá ocorrer por meio da oferta permanente, um modelo considerado mais ágil onde o empreendedor escolhe as áreas e solicita autorização. Outra modalidade é a oferta planejada, na qual o governo define as áreas e conduz o processo de planejamento e estudo, com a cessão ocorrendo via leilão.
Enquanto os detalhes sobre a oferta permanente e planejada são finalizados, uma definição pendente crucial é qual agência reguladora ficará responsável pela liberação dos projetos. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estão na disputa pela competência. Paralelamente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já atua na emissão de licenças prévias para projetos de energia eólica offshore no Brasil.
Grandes Players Globais Apostam no Mercado Brasileiro de Eólica Offshore
O interesse no potencial da energia eólica offshore no Brasil já atraiu a atenção de grandes companhias internacionais e nacionais. Além da Petrobras, empresas como Shizen Energy (Japão), Copenhagen Infrastructure Partners (Dinamarca), Equinor, TotalEnergies e Shell estão investindo neste mercado. O cenário é de crescimento acelerado, com um alinhamento promissor entre o governo e o Congresso para o desenvolvimento do setor.