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Energisa (ENGI11) Surpreende com Prejuízo de R$ 40 Milhões no 2º Trimestre, Venda de Ativos e Acordo em Rondônia Impactam Resultado

Energisa registra prejuízo de R$ 40 milhões no 2º trimestre, afetada por venda de ativos e acordo em Rondônia

O grupo Energisa (ENGI11) divulgou um resultado financeiro inesperado para o segundo trimestre de 2025, registrando um prejuízo líquido consolidado de R$ 40 milhões. Este resultado contrasta fortemente com o lucro consolidado de R$ 490 milhões obtido no mesmo período do ano anterior, sendo impactado por eventos contábeis extraordinários.

Um dos principais fatores que influenciaram o desempenho foi o anúncio da venda de cinco transmissoras para a Taesa, uma operação de R$ 2,293 bilhões. Essa transação gerou uma reclassificação contábil dos ativos, impactando o resultado financeiro em R$ 596 milhões sem efeito caixa, devido às regras do IFRS para o setor.

Apesar do prejuízo contábil, o lucro líquido ajustado recorrente da Energisa alcançou R$ 88 milhões, uma queda de 80% em relação ao ano anterior, pressionado pelo aumento das despesas financeiras líquidas. Conforme informações divulgadas pelo grupo, essa venda, embora gerando um prejuízo contábil, foi uma transação vantajosa, negociada a cerca de 10 vezes o Ebitda e 8,3 vezes a Receita Anual Permitida. A expectativa é que o fechamento definitivo da transação ocorra ainda neste mês.

Acordo em Rondônia e Crescimento do Gás Natural Impulsionam Ebitda

Em contrapartida, o segundo trimestre também foi marcado por um acordo positivo entre a Energisa Rondônia (ERO) e o governo do estado. Essa negociação, que regularizou passivos com mais de 20 anos e quitou dívidas da Companhia de Águas do estado, representava 60% do contencioso judicial do grupo. O acordo resultou em um impacto positivo de R$ 489 milhões no Ebitda e R$ 94 milhões no lucro líquido da Energisa.

No consolidado, o Ebitda ajustado recorrente da Energisa atingiu R$ 1,95 bilhão, um leve aumento de 1% na comparação anual. Quando ajustado pela equivalência patrimonial da Norgás, holding de distribuição de gás natural, o Ebitda recorrente chegou a R$ 1,99 bilhão, com alta de 1,4%.

O setor de distribuição de gás natural se destacou neste trimestre, registrando um Ebitda ajustado de R$ 96 milhões, impulsionado pela Norgás e pela ES Gás. A Norgás apresentou crescimento de 35% no Ebitda, para R$ 117 milhões, enquanto a ES Gás teve um aumento de quase 90%, alcançando R$ 65 milhões. O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Energisa, Mauricio Botelho, destacou que o setor de gás está em um momento muito positivo, com investimentos de R$ 69 milhões na expansão da infraestrutura.

Energia Elétrica Cresce e Investimentos em Rede são Intensificados

O segmento de distribuição de energia elétrica apresentou um aumento de 5% na receita líquida ajustada, totalizando R$ 6,5 bilhões. Esse crescimento foi reflexo da elevação de 4% no volume de energia consumido nas nove distribuidoras do grupo.

A Energisa intensificou seus investimentos em ampliação, modernização e digitalização da rede elétrica durante o trimestre. Essas ações visam também antecipar manutenções corretivas e preventivas em ativos críticos, preparando a infraestrutura para o possível aumento da severidade de eventos climáticos associados ao fenômeno El Niño.

Apesar dos desafios climáticos, Botelho admitiu que o El Niño pode trazer um impacto positivo futuro, com potencial aumento do consumo devido à elevação das temperaturas. Em 2023, o mercado da Energisa cresceu 9,5%, com aumento expressivo no consumo residencial e comercial.

Endividamento Reduzido e Caixa Robusto

Os eventos extraordinários do trimestre, como o acordo em Rondônia, contribuíram para a melhora da estrutura de capital da Energisa. A alavancagem da companhia caiu para 3,1 vezes dívida líquida/Ebitda, ante 3,5 vezes no final do primeiro trimestre. O acordo com Rondônia, além do impacto no Ebitda, gerou R$ 414 milhões em acréscimos moratórios, com previsão de entrada de R$ 300 milhões no caixa nos próximos 90 dias.

A redução da alavancagem também foi impulsionada pela conclusão da venda de ações preferenciais da Denerge, no valor de R$ 1,4 bilhão. Ao final de junho, a Energisa possuía uma posição de caixa de R$ 13 bilhões, montante considerado suficiente para cobrir os vencimentos da dívida nos próximos três anos, demonstrando a solidez financeira do grupo.

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