A Engie anunciou que avalia usar parte da energia excedente gerada no maior parque solar do grupo, o complexo Assú Sol, para operações de mineração de Bitcoin.
A proposta busca transformar energia não absorvida pela rede em nova fonte de receita, por meio de data centers de mineração ou sistemas de armazenamento de energia.
O projeto, segundo a empresa, ainda está em fase de estudos e não deve sair do papel no curto prazo, conforme informação divulgada pela Engie Brasil Energia.
Como funcionaria a mineração de Bitcoin com energia excedente
A ideia é direcionar a energia que hoje não pode ser oferecida ao sistema elétrico por limitações de infraestrutura para cargas controláveis, como centros de processamento de criptomoedas.
Em vez de perder energia por cortes de geração, conhecidos globalmente como curtailments, a companhia avalia alimentar data centers de mineração de Bitcoin ou instalar grandes sistemas de armazenamento.
Essas alternativas permitiriam modular a entrega de energia ao mercado e gerar receita adicional para o operador do parque solar.
Escala do complexo Assú Sol e impactos econômicos
O complexo solar Assú Sol reúne 16 usinas fotovoltaicas com capacidade total de 753 MW, construído com investimento de cerca de R$ 3,3 bilhões, e ocupa uma área de mais de 2,3 mil hectares.
A energia gerada por Assú Sol é suficiente para atender o consumo anual de uma cidade de cerca de 850 mil habitantes, mas mesmo assim enfrenta episódios de geração interrompida quando a rede não absorve tudo o que é produzido.
Transformar excedente em carga flexível, como mineração de Bitcoin, é visto como uma forma de reduzir perdas e recuperar parte do investimento.
Desafios técnicos, regulatórios e de mercado
O projeto de mineração de Bitcoin depende de análises adicionais e do desenvolvimento da infraestrutura necessária para abrigar e resfriar equipamentos, além de garantias contratuais para venda de carga.
Há também questões regulatórias e de imagem a considerar, diante de debates sobre consumo energético da mineração de criptomoedas.
A Engie disse que avaliará potenciais parceiros e compradores para essas cargas e seguirá estudando formas de integrar essas tecnologias à operação do complexo.
Contexto mais amplo da Engie no Brasil
No Brasil, o grupo opera uma capacidade instalada totalmente renovável de 15,7 GW, com ativos hidrelétricos, eólicos onshore e solares.
A Engie também administra 3.200 km de linhas de transmissão e 22 subestações no país, e recentemente colocou em operação comercial plena o complexo eólico Serra do Assuruá, com capacidade de 846 MW.
O uso de excedente para mineração de Bitcoin faz parte da busca da Engie por novas fontes de receita e por soluções para perdas associadas a curtailments, mas segue em estudo e sem prazo definido para implantação.