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Internet Restrita na Rússia: Como o Controle de Putin Gerou Indignação e Pressionou o Líder

A Virada Digital: Como a Restrição da Internet na Rússia Acendeu a Chama da Crítica a Putin

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Inicialmente, a guerra na Ucrânia e suas consequências econômicas não pareciam abalar a população russa. No entanto, uma nova frente de insatisfação começou a surgir quando o presidente Vladimir Putin e seus serviços de segurança intensificaram o controle sobre o acesso à internet e aplicativos populares no país.

Essa medida, justificada como necessária em tempos de guerra, acabou por atingir um público muito mais amplo do que o esperado. De cidadãos comuns a influenciadores digitais e políticos, a indignação com as restrições começou a se manifestar, dando um sopro de vida a um sistema político que, embora restritivo, ainda permitia espaço para opiniões divergentes nas margens.

O descontentamento crescente, combinado com a economia enfraquecida e o aumento de impostos, impactou diretamente a popularidade de Putin. Conforme reportagem do The New York Times, a taxa de aprovação do presidente caiu por sete semanas consecutivas, atingindo um nível semelhante ao registrado pouco antes do início da guerra. As restrições à internet, portanto, tornaram-se um catalisador inesperado para a politização de muitos russos.

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O Bloqueio Digital e a Reação em Massa

As autoridades russas, sob o pretexto de segurança nacional, implementaram medidas drásticas, incluindo o bloqueio intermitente do acesso à internet móvel em diversas regiões e a restrição ou lentidão no funcionamento de aplicativos estrangeiros populares como Facebook, YouTube, WhatsApp e Telegram. O objetivo era incentivar o uso de alternativas nacionais, mais fáceis de monitorar.

Em resposta, muitos russos recorreram a Redes Privadas Virtuais (VPNs) para contornar as restrições. O que começou como um inconveniente técnico rapidamente evoluiu para protestos em algumas cidades, embora as autoridades tenham agido para impedi-los, alegando receio de que as manifestações pudessem crescer. A frustração, contudo, encontrou vazão nas redes sociais, com mensagens furiosas inundando as páginas de órgãos governamentais.

Vozes Inesperadas se Levantam Contra as Restrições

A onda de críticas ganhou força com a manifestação de figuras públicas, como Victoria Bonya, influenciadora de beleza e ex-estrela de reality show. Em um vídeo que viralizou no Instagram, Bonya declarou que as restrições à internet tornavam a Rússia um lugar “impossível de viver”, sugerindo que o presidente Putin poderia não estar ciente do impacto de tais medidas. O vídeo alcançou mais de 30 milhões de visualizações, forçando o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a comentar o caso.

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Até mesmo líderes de partidos considerados “oposição sistêmica”, como Gennady Zyuganov, do Partido Comunista, elogiaram Bonya e compararam a situação atual à queda da monarquia russa em 1917, impulsionada por uma guerra impopular, dificuldades econômicas e supressão de liberdades. Essa comparação ressalta a gravidade do descontentamento gerado pelas restrições digitais.

O Impacto Econômico e a Busca por Alternativas

A interferência na vida cotidiana causada pelos apagões e bloqueios da internet gerou um forte ressentimento, visto por muitos como um ataque à vida privada. A dependência de aplicativos como o Telegram, utilizado mensalmente por mais de 100 milhões de russos para comunicação, notícias e transações comerciais, tornou as restrições ainda mais impactantes. O Kremlin, por sua vez, pressiona pela migração para o MAX, um “super aplicativo” governamental.

A situação econômica enfraquecida e o aumento de impostos agravaram o cenário. Políticos de oposição, como os do Partido Comunista, relataram ter sido “inundados por reclamações de todo o país”, com a reação dos eleitores variando de “consternação a um radicalismo aberto”. O sigilo em torno das medidas, com justificativas vagas sobre segurança, é um dos pontos mais irritantes para a população.

O Novo Papel dos Partidos de Fachada e a Persistência do Sistema

Em meio a esse clima de insatisfação, partidos de fachada, como o Novas Pessoas, que antes focavam em temas menos sensíveis, passaram a defender as liberdades na internet. Esse partido, que obteve 5% dos votos em 2021, viu seu apoio saltar para 13% em pesquisas recentes, superando outras legendas alinhadas ao Kremlin. A internet se tornou, segundo o jornal Nezavisimaya Gazeta, “essencialmente o único tema em que todos os partidos podem aumentar sua aprovação neste momento”.

Apesar desses lampejos de atividade política, a desilusão com o sistema russo, amplamente visto como manipulado, persiste. Muitos cidadãos, como Svetlana, uma engenheira aposentada, expressam desinteresse em participar do que consideram um “teatro”. A percepção geral é de um país “confinado a uma prisão a céu aberto”, onde as coisas tendem a piorar. Contudo, o sistema de poder construído por Putin parece, por ora, protegido contra mudanças revolucionárias, com analistas políticos como Mikhail Komin afirmando que, embora um novo processo político esteja em curso, ele não representa ameaça à estabilidade do regime.

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