EUA e Irã avançam em acordo provisório para reabrir Estreito de Ormuz e buscar paz no Oriente Médio
Um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz, crucial para o transporte global de petróleo, parece estar próximo. A negociação, mediada pelo Paquistão, visa encerrar a guerra no Oriente Médio que se arrasta desde fevereiro.
Apesar do otimismo inicial, o Irã adota uma postura cautelosa quanto aos prazos de assinatura, enquanto os EUA indicam um acordo vantajoso. A questão nuclear iraniana e o futuro das sanções econômicas são pontos centrais das discussões.
O Estreito de Ormuz, antes da guerra, via a passagem diária de cerca de 140 navios, sendo uma das principais artérias do comércio mundial de petróleo. Sua reabertura é um dos objetivos imediatos do acordo, segundo informações de autoridades citadas pela Bloomberg.
Paquistão anuncia avanço nas negociações e possível assinatura eletrônica
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou que as partes estão “mais perto de um acordo de paz do que nunca”. Islamabad se prepara para uma assinatura eletrônica do entendimento, seguida por conversas técnicas na semana seguinte. Essa mediação paquistanesa é vista como um passo fundamental para a desescalada do conflito.
Uma autoridade norte-americana, embora evite confirmar datas exatas, descreveu o acordo como “ótimo” e “muito vantajoso”. A expectativa é que, com a assinatura, o Estreito de Ormuz seja imediatamente “aberto a todos”, conforme afirmou o presidente Donald Trump em redes sociais.
Detalhes do acordo em negociação: reabertura do Estreito e programa nuclear
A proposta em discussão prevê uma abordagem gradual, começando pela reabertura do Estreito de Ormuz. O Irã receberia benefícios econômicos à medida que cumprisse as exigências americanas, que incluem a não busca por armas nucleares e a limitação do seu programa nuclear a fins civis. O acordo também prevê a retirada de material nuclear enriquecido do país.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, assegurou que a soberania iraniana sobre o estreito seria mantida. Ele também mencionou que Teerã está “mais perto de um entendimento do que nunca”, mas ressaltou que a assinatura depende da análise final dos termos.
Tensões persistem perto de Ormuz, mas acordo pode trazer alívio
As negociações ocorrem em um cenário de tensões elevadas, com relatos de forças americanas abatendo drones iranianos próximos ao Estreito de Ormuz e um incidente envolvendo uma embarcação atingida por um projétil não identificado na costa de Omã. Caso o acordo se concretize, Reino Unido e França devem formar uma coalizão para remover minas iranianas que, segundo os EUA, representam um risco à navegação.
A guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, já causou milhares de mortos e reacendeu a rivalidade entre Israel e o Hezbollah. A crise também pressionou os preços globais da energia, mas houve recuo após Trump cancelar planos de novos ataques ao Irã.
Israel como ponto de incerteza e o futuro do acordo
Israel permanece como um ponto de incerteza, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu demonstrando preferência por ações militares. Araghchi classificou Israel como um “inimigo” do acordo, tentando sabotá-lo. A concretização do acordo trará alívio nas sanções ao Irã e sua reintegração gradual à economia global, beneficiando diretamente o país persa, segundo a Bloomberg Economics.
Ainda não está claro se os recentes avanços representam um passo concreto para uma paz duradoura ou apenas mais uma tentativa de acordo em meio a um cessar-fogo frágil. A resposta definitiva do Irã sobre os termos propostos é aguardada com grande expectativa global.

