EUA e Brasil em Negociações Cruciais por Minerais Críticos Amidando Divergências Diplomáticas
Os Estados Unidos e o Brasil estão em processo de negociação para estabelecer um acordo que fortaleça as cadeias de suprimento de minerais críticos. A informação foi divulgada pelo encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, em um momento de tensões diplomáticas entre os dois países. As conversas ocorrem paralelamente a um incidente diplomático que levou o governo brasileiro a desistir de participar de um fórum patrocinado pela embaixada norte-americana.
Escobar mencionou que há uma proposta para um acordo em nível federal e que conversas preliminares já aconteceram, mas que os EUA ainda aguardam um posicionamento mais concreto. A declaração foi feita após a assinatura de um acordo bilateral separado com o estado de Goiás, antes da realização do fórum em São Paulo.
A ausência de representantes do governo federal brasileiro no Fórum Brasil-Estados Unidos sobre Minerais Críticos foi justificada por um conflito de agenda. O evento, organizado pela embaixada americana e pela Amcham Brasil, visava conectar investidores dos EUA com empresas brasileiras do setor de minerais críticos, como terras raras, essenciais para tecnologias modernas e disputadas globalmente, com forte presença chinesa. Conforme informação divulgada pela Reuters, os EUA veem o Brasil como um destino potencial para investimentos bilionários no setor, com cerca de US$ 600 milhões já aplicados pela Corporação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (DFC) e pelo banco EXIM.
Tensões Diplomáticas e Acordo com Goiás
As recentes tensões diplomáticas lançaram uma sombra sobre as negociações. A participação brasileira no fórum foi cancelada após um pedido de um funcionário dos EUA para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que foi interpretado em Brasília como uma tentativa de interferência nos assuntos internos do país. O Brasil, por sua vez, impediu a entrada do enviado, alegando que os motivos da visita foram distorcidos.
Fontes informaram à Reuters que o Brasil recebeu uma proposta de memorando de entendimento em fevereiro, mas o documento continha um erro, mencionando o nome de outro país, o que foi corrigido posteriormente. As negociações sobre minerais críticos seguem em curso com o escritório do representante de Comércio dos EUA e podem estar atreladas a uma possível visita do presidente Lula a Washington.
Goiás como Protagonista em Minerais Críticos
Um ponto de atrito adicional surgiu com a assinatura de um acordo bilateral entre os EUA e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, adversário político do presidente Lula. Autoridades brasileiras expressaram frustração em privado, considerando o ato uma tentativa de contornar o governo federal. O acordo com Goiás prevê cooperação em áreas como mapeamento de potencial mineral, conexão de mineradoras locais com tecnologia americana e aprimoramento regulatório.
Goiás possui reservas significativas de lítio e nióbio, além de abrigar a única empresa produtora comercial de terras raras no Brasil, a Serra Verde, que conta com apoio de investidores americanos. O governo estadual destacou que o acordo visa promover o processamento doméstico e a fabricação de valor agregado, incluindo a separação de terras raras e a produção de ímãs de neodímio.
Prioridade em Processamento Doméstico e Diversificação Global
O avanço no processamento doméstico de minerais críticos é uma prioridade clara para o governo Lula, segundo um funcionário do Ministério do Comércio Exterior. Os Estados Unidos, por sua vez, identificaram mais de 50 projetos de mineração no Brasil com potencial para atrair investimentos bilionários. O objetivo americano é diversificar o fornecimento global desses minerais, reduzindo a dependência da China, que atualmente domina grande parte das cadeias de suprimento.
O acordo em negociação com o Brasil é visto como fundamental para os planos dos EUA de garantir o acesso a esses recursos estratégicos, essenciais para a transição energética e para o desenvolvimento de tecnologias de defesa e eletrônicas. A colaboração entre os dois países pode impulsionar o desenvolvimento econômico brasileiro e fortalecer a posição dos EUA no mercado global de minerais críticos.