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Selic: Juros em Calibragem Após 1º Corte Ligados ao Cenário Externo e Inflação, Dizem Economistas

A calibragem dos juros após o primeiro corte na Selic está sob forte influência do cenário externo e das expectativas de inflação, segundo analistas econômicos. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 13,25% ao ano, sinaliza uma abordagem cautelosa diante das incertezas globais, especialmente o conflito no Oriente Médio.

O comunicado do Copom, que não ofereceu um guia claro sobre os próximos passos, reflete essa necessidade de prudência. Economistas ouvidos pelo InfoMoney apontam que o ritmo da queda dos juros será ditado pelo desenrolar da situação internacional e pela evolução da inflação interna. A expectativa era de um corte mais expressivo, mas a conjuntura atual demanda uma análise mais aprofundada.

A desancoragem das expectativas de inflação, com analistas revisando suas projeções para cima, foi um fator chave para a decisão do Copom. Mesmo com o Brasil sendo exportador de petróleo, a cautela é justificada, segundo Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating. Ele avalia que havia espaço para um corte de meio ponto, mas a incerteza geopolítica no Oriente Médio pesou na decisão.

Cenário Externo e Inflação Ditando o Ritmo

Caio Megale, economista-chefe da XP, ressalta que a calibragem monetária futura pode ser menos intensa do que o inicialmente previsto. O monitoramento atento dos preços do petróleo, da taxa de câmbio e das expectativas de inflação será crucial nas próximas semanas para definir os próximos movimentos do Copom.

Efeitos da Política Monetária Restritiva

Raphael Vieira, co-head de Investimentos da Arton Advisors, e Danilo Passos, economista da WHG, destacam que o corte na Selic já reflete o reconhecimento dos efeitos da política monetária restritiva sobre a atividade econômica. O próprio comunicado do Copom mencionou a transmissão dos juros para a atividade.

Bruna Centeno, economista da Blue3 Investimentos, considera o corte, mesmo que menor que o esperado, como um “fôlego”. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, enfatiza que o Copom deixou claro que os próximos passos serão sensíveis às expectativas de inflação e que uma deterioração adicional pode levar a uma pausa no ciclo de cortes.

Danilo Passos avalia que essa ponderação no comunicado “deixa a barra mais alta para uma aceleração no ritmo de cortes”. Rafael Pastorello, do Banco Sofisa, aponta que, em meio à instabilidade externa, os indicadores de atividade econômica mostravam moderação, mas expectativas de inflação desancoradas e pressões no mercado de trabalho justificam a postura conservadora do Copom.

Mercado Fica de Olho nas Cotações e Dados de Inflação

O mercado agora acompanha de perto os preços dos combustíveis para projetar as futuras decisões do Copom, segundo Centeno. A variação desses preços é um termômetro para a transmissão das commodities para a inflação.

As próximas divulgações do IPCA-15 e do IPCA fechado de março serão de suma importância, segundo Sérgio Samuel dos Santos, do Sistema Ailos. Se o processo de desinflação e arrefecimento da economia continuar, um corte de 0,5 ponto percentual pode ser considerado.

Megale, da XP, acredita que o Copom demonstrou confiança na convergência da inflação para a meta, mas a “barra ficou alta” para que a taxa Selic não seja cortada novamente em abril. O ASA projeta um corte de meio ponto em abril, mas com risco de ser de 0,25 p.p. caso o conflito no Oriente Médio se agrave.

A XP projeta cortes de 0,50 p.p. nas próximas reuniões, levando a Selic a 12,75%, seguida por uma pausa. Flávio Serrano, do Banco Bmg, mantém a projeção de um ciclo de corte de 300 pontos-base, com a Selic a 12% ao final de 2026. Rafael Cardoso, do Daycoval, vê possibilidade de corte de 0,50 p.p. caso o conflito no Oriente Médio se resolva. Éttore Sanchez, da Ativa Investimentos, é mais otimista, projetando cortes de 0,75 p.p. até novembro.