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Ex-chefão da Petrobras propõe ideia radical: Fechar capital da estatal para blindar contra política e crises

Ex-líder da Petrobras sugere fechar capital da estatal para blindá-la de interferências políticas e crises.

Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras e figura chave na recuperação financeira da empresa, apresentou uma proposta ousada para proteger a estatal de ciclos políticos e instabilidades econômicas: fechar o capital da companhia, retirando suas ações da bolsa de valores.

A sugestão surge em um contexto de debates sobre a gestão da empresa e sua exposição a decisões governamentais que nem sempre priorizam o resultado financeiro. Parente argumenta que essa medida seria a solução definitiva para garantir a autonomia e a eficiência operacional da Petrobras.

A proposta foi detalhada em entrevista ao programa Hot Market, da CNN Brasil, onde ele comparou a situação com a da petrolífera norueguesa, que opera sem interferências políticas. A ideia ganha força diante de eventos recentes, como a privatização da Refinaria Mataripe, que introduziu investidores estrangeiros na cadeia de refino brasileira.

A proposta de Parente para blindar a Petrobras

Em sua análise, Parente defende que, se o governo deseja intervir na Petrobras para fins de política pública ou subsidiar preços, o ideal seria que a empresa operasse fora da bolsa. “Se o governo quer fazer política pública, quer tomar prejuízo na empresa ou quer praticar preços que não levam a empresa a maximizar o seu resultado, fecha o capital da Petrobras, aí faz o que quiser”, declarou.

Ele citou o exemplo da Noruega, onde a estatal petrolífera opera de forma independente, focada em resultados em um mercado competitivo. A retirada da Petrobras da bolsa, segundo ele, eliminaria a contradição entre os incentivos políticos do acionista majoritário (o governo) e os interesses dos acionistas minoritários, além de garantir a eficiência operacional.

O histórico de recuperação e os desafios atuais

Parente liderou a Petrobras em 2016, quando a empresa enfrentava uma dívida superior a US$ 125 bilhões e vendia combustíveis abaixo do custo de importação. Sua aceitação do cargo foi condicionada a duas exigências claras: gestão baseada em critérios exclusivamente econômicos e ausência de indicações políticas.

Com essas condições, a Petrobras reverteu seu quadro, tornando-se uma das empresas de energia mais lucrativas do mundo. No entanto, Parente alerta que essa estabilidade conquistada não é sustentável a longo prazo devido à exposição da companhia ao ciclo eleitoral e às pressões políticas.

A falta de planejamento estratégico no Brasil

O diagnóstico de Parente se estende para além da Petrobras, abrangendo uma crítica mais ampla à gestão do Brasil. Ele descreve o país como carente de planejamento estratégico, operando de forma reativa, onde cada ministério segue sua própria lógica sem uma visão unificada.

“Quem é que sabe onde é que nós queremos chegar aqui no Brasil sob o ponto de vista de uma visão de país? Isso não existe”, afirmou Parente. Essa ausência de um plano de longo prazo, em um cenário internacional volátil com tarifas imprevisíveis e choques de oferta, representa, segundo ele, o principal risco sistêmico para o país.

A fórmula de sucesso da Petrobras com o PPI

Durante sua gestão, a Petrobras adotou a Política de Preços de Paridade de Importação (PPI), alinhando os preços internos ao custo real de importação de combustíveis. Parente defendeu a paridade de importação como a referência correta, pois reflete o custo que qualquer outro agente pagaria para abastecer o Brasil, evitando subsídios que prejudicavam o balanço da empresa.

Essa disciplina de gestão e a blindagem contra interferências políticas foram os pilares da recuperação da Petrobras. Parente ressalta que o modelo de gestão eficaz se baseia em responder três perguntas simples: “Onde eu estou, onde eu quero chegar, e como saio de A para chegar em B”.

A falta de respostas claras para essas perguntas no âmbito governamental brasileiro, na visão de Parente, agrava a situação. Enquanto o problema da Petrobras em 2016 tinha solução técnica, o desafio do Brasil em 2026 é mais profundo, marcado pela ausência de planejamento, tornando cada crise uma surpresa e cada solução um paliativo.