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Ex-chefe de estratégia do IIF, Robin Brooks, vê mais espaço para rali do real e projeta dólar a R$ 4,50, Brasil lidera valorização entre emergentes

O real brasileiro voltou a ganhar atenção internacional, em um movimento que combina fatores globais e uma reprecificação dos fundamentos locais.

Na avaliação citada pelo próprio economista, a moeda brasileira aparece no topo do desempenho entre emergentes, com ganhos relevantes no ano, enquanto o dólar mostra sinais de enfraquecimento.

Veja a seguir por que, segundo o especialista, há mais espaço para valorização, quais dados sustentam a leitura, e o que isso significa para investidores e políticos econômicos, conforme avaliação de Robin Brooks, economista do Brookings Institution e ex-chefe de estratégia cambial do Institute of International Finance (IIF).

Por que o real se destaca entre emergentes

O economista observa que, hoje, “quase todas as moedas emergentes estão se valorizando contra o dólar, mas o Brasil está no topo da lista”. No acumulado do ano, o real sobe quase 7% frente à moeda americana, desempenho que coloca o país como destaque entre pares de mercado emergente.

Brooks lembra que o real já teve um rali forte em 2022, quando a guerra na Ucrânia elevou preços de commodities, beneficiando exportadores como o Brasil, e levando o câmbio de perto de R$ 6,00 no fim de 2021 para a faixa de R$ 4,50 em março de 2022.

Dólar mais fraco primeiro contra emergentes

O economista distingue o comportamento do dólar frente a dois grupos, moedas desenvolvidas e emergentes, e destaca que o chamado “dólar emergente” tem mostrado um padrão mais consistente de fraqueza.

Segundo Brooks, a perda de força do dólar contra emergentes costuma antecipar movimentos mais amplos da moeda americana, e a apreciação do real integra esse processo. Em suas palavras, “A apreciação do real faz parte disso”, ao comentar a nova mínima pós-eleição do índice do dólar contra emergentes.

O real ainda está, segundo ele, descontado

Apesar do rali recente, Brooks sustenta que o câmbio ainda está abaixo do que considera seu equilíbrio de longo prazo. Ele afirma que “O real permanece profundamente descontado em relação a onde estava antes da pandemia e não está muito claro por quê”.

Para o economista, esse desconto, somado ao enfraquecimento estrutural do dólar, ajuda a explicar por que investidores estrangeiros estão voltando a precificar o Brasil como oportunidade, o que mantém interesse por ativos e pela moeda local.

Projeção e impacto para mercados

Brooks mantém a projeção de que o dólar a R$ 4,50 representa um nível de fair value, e que a trajetória atual combina um dólar estruturalmente mais fraco com uma moeda brasileira que ainda negocia com desconto frente aos fundamentos.

O resultado, segundo a análise, é um momento favorável para o real, citado por ele como “hora nobre” para a moeda. Para investidores, a leitura aponta para maior atenção ao Brasil em busca de retorno em emergentes, e para formuladores de política, ressalta a importância de fundamentos macroeconômicos estáveis para consolidar ganhos cambiais.

Em resumo, a avaliação de Robin Brooks une dados recentes, como a alta acumulada do real e a trajetória do dólar, às estimativas de equilíbrio histórico, e conclui que há espaço para uma nova etapa de valorização da moeda brasileira, com o dólar a R$ 4,50 citado como referência de fair value.