Sidney Angulo, sócio do E-Business Park, explica por que não pretende mexer em sua carteira de fundos imobiliários (FIIs) apesar do cenário global de incertezas e da expectativa de queda nos juros brasileiros. Ele enfatiza a natureza resiliente dos FIIs, vinculados a ativos físicos e contratos de longo prazo, que os tornam menos suscetíveis a choques externos.
Em um momento de crescentes tensões geopolíticas e possíveis oscilações em indicadores econômicos, a pergunta que paira sobre muitos investidores é se é hora de reajustar a carteira de fundos imobiliários. Sidney Angulo, uma figura conhecida no mercado de FIIs, compartilha sua visão e revela que, para ele, a resposta é não.
Angulo argumenta que os movimentos macroeconômicos, como variações no preço do petróleo ou na cotação do dólar, tendem a ter um impacto limitado sobre o setor imobiliário no curto prazo. Ele destaca a característica intrínseca dos fundos imobiliários, que os diferencia de outros mercados financeiros mais voláteis.
A estabilidade dos FIIs, segundo o especialista, reside na sua ligação com imóveis físicos e contratos de longa duração. Essa ancoragem em ativos tangíveis e relações comerciais duradouras proporciona uma proteção natural contra a volatilidade, oferecendo um porto seguro em tempos de incerteza. Conforme informação divulgada pelo Liga de FIIs, Angulo acredita que a economia brasileira caminha para uma redução gradual das taxas de juros, um fator positivo para o setor.
Visão de Longo Prazo: Uma Carteira de Imóveis, Não um Portfólio Financeiro
A estratégia de Sidney Angulo para sua carteira de fundos imobiliários é clara e consistente: pensar em **longo prazo**. Ele não a encara como um mero portfólio de ativos financeiros, mas sim como uma coleção de **imóveis físicos**, com foco na solidez e na geração de valor ao longo do tempo.
“Eu não monto um portfólio, eu monto uma carteira de imóveis”, explica Angulo. Sua abordagem é construir posições sólidas e duradouras, o que resulta em **mudanças muito pequenas** em sua alocação. Ele busca consistência, acreditando que a verdadeira força dos fundos imobiliários reside na sua capacidade de resistir a flutuações de curto prazo.
Em períodos de queda acentuada nas cotas, a estratégia de Angulo tem sido a **ampliação de posições**. Ele revela que, enquanto o mercado vendia, ele estava comprando, demonstrando uma mentalidade contrária e focada nas oportunidades que a volatilidade pode trazer para quem tem uma visão de longo prazo.
FIIs vs. Ações: Uma Diferença Fundamental em Volatilidade e Perfil do Investidor
Sidney Angulo ressalta que a volatilidade observada no mercado de fundos imobiliários é significativamente **menor quando comparada ao comportamento das ações**. Ele defende que os FIIs devem apresentar uma trajetória mais estável, sustentada pela qualidade da gestão e pelo controle do endividamento dos ativos.
“Fundo imobiliário não é volatilidade de ação, é uma coisa consistente”, afirma. Para ele, um fundo com **boa gestão e dívida controlada** tende a apresentar um movimento mais estável e previsível, o que é fundamental para investidores que buscam segurança e renda recorrente.
Além disso, o especialista aponta uma distinção importante no perfil do investidor de cada mercado. Enquanto o mercado acionário exige acompanhamento mais constante e uma **maior tolerância ao risco**, os fundos imobiliários permitem um acompanhamento com menor frequência. O desempenho das ações está atrelado à valorização das empresas e expectativas de crescimento, já os FIIs combinam renda recorrente com uma valorização mais gradual.
Perspectiva para os Juros no Brasil
Angulo também observa que a tendência para a economia brasileira é de **queda gradual dos juros** nos próximos meses. Ele considera que o atual patamar elevado do custo do crédito tem impactado negativamente empresas e consumidores, e não vê sustentabilidade para taxas de 15% por muito tempo.
“Se o cenário se normalizar, é possível imaginar algo próximo de 12% ou até abaixo disso”, disse ele durante participação no programa Liga de FIIs. Essa perspectiva de juros mais baixos pode se tornar um **catalisador adicional** para o mercado de fundos imobiliários, atraindo mais investidores em busca de retornos atrativos e consistentes.
A análise de Sidney Angulo reforça a ideia de que, para investidores com foco no longo prazo e que buscam estabilidade, a manutenção ou até o aumento da exposição em fundos imobiliários pode ser uma estratégia prudente, mesmo em meio a um cenário global de incertezas.