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Páscoa mais cara: Inflação de chocolates e ingredientes avança 50,75% em 5 anos, superando IPCA geral

Páscoa se torna um luxo: veja os vilões da inflação que encareceram a celebração em mais de 50% nos últimos cinco anos.

A tradicional celebração da Páscoa tem se tornado cada vez mais cara para os brasileiros. Nos últimos cinco anos, a cesta de produtos relacionados à data registrou uma inflação acumulada de 50,75%, um índice significativamente superior à inflação geral do país, o IPCA, que ficou em 33,13% no mesmo período. Essa disparidade evidencia que itens específicos da Páscoa sofreram aumentos ainda mais expressivos.

O levantamento, realizado pela Rico, aponta que a variação de preços não é sentida de forma igual por todos, mas alguns produtos essenciais para a confecção de chocolates e doces se destacam como os principais vilões desse encarecimento. A análise permite entender as causas por trás dessa escalada de preços, que envolvem desde questões climáticas até custos logísticos.

Entender esses fatores é crucial para planejar o orçamento e buscar alternativas para a celebração. A seguir, detalhamos os produtos que mais impactaram a inflação da Páscoa e as razões por trás desses aumentos, conforme informações divulgadas pela Rico.

Chocolate em pó e barra lideram a alta, com aumentos superiores a 78%

O item que mais pesou no bolso do consumidor foi o chocolate em pó, com uma impressionante alta de 85,10% em cinco anos. Essa categoria, que também engloba o achocolatado, é fundamental na receita de muitos doces e recheios de ovos de Páscoa. Em seguida, o chocolate em barra e bombom acumulou uma variação de 78,44% no mesmo período, demonstrando o impacto direto no preço dos ovos de chocolate.

Açúcar, frutas e azeite também encareceram significativamente

Outros ingredientes essenciais para a produção de chocolates e para a mesa da Páscoa também apresentaram elevações consideráveis. O açúcar refinado subiu 57,51%, seguido por frutas, com 55,98%, e o azeite de oliva, que avançou 51,56%. Esses produtos, quando somados, contribuem significativamente para o aumento geral do custo da celebração.

Quebra de safra do cacau e custos logísticos impulsionam preços

A alta expressiva nos preços do cacau, principal matéria-prima do chocolate, é um dos fatores determinantes para o encarecimento dos produtos. Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX, explica que a cotação média do cacau na Bolsa de Nova York teve um pico acima de US$ 10 mil a tonelada em abril de 2024, um salto considerável em relação aos US$ 2 mil a US$ 3 mil registrados em janeiro de 2022. Essa valorização, embora tenha recuado recentemente, ainda impacta a indústria do chocolate.

Além da quebra de safra do cacau, fatores climáticos, custos logísticos e estruturais também afetaram a oferta global de outros produtos, como o açúcar, pressionando suas cotações nos últimos anos. A analista de research da Rico, Maria Giulia Figueiredo, destaca que esses elementos, combinados, explicam a variação de preços observada na cesta de Páscoa.

Páscoa de 2026 com perspectiva mais amena, mas com ressalvas

Apesar da forte inflação acumulada nos últimos cinco anos, os dados mais recentes indicam uma desaceleração. Nos 12 meses até janeiro de 2026, a cesta de Páscoa registrou uma alta de 2,51%, abaixo do IPCA geral de 4,44%. Isso se deve, em parte, à política monetária restritiva, com a taxa de juros em 15%, e à apreciação cambial.

Houve recuo de preços em algumas categorias, como pescados, manteiga e açúcar cristal, o que contribuiu para essa desaceleração. No entanto, a analista Maria Giulia Figueiredo ressalta que ainda existem pressões em categorias industriais mais sensíveis aos custos de insumos, indicando que a cautela com os preços na Páscoa deve continuar.