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Flávio Bolsonaro alerta sobre sobretaxa chinesa na carne bovina brasileira e culpa governo Lula

Flávio Bolsonaro aponta risco de nova tarifa chinesa para carne bovina do Brasil e critica gestão de Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levantou preocupações sobre um novo obstáculo para as exportações de carne bovina brasileira, direcionando críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele alega que o país está à beira de enfrentar uma sobretaxa significativa imposta pela China, que poderia afetar os embarques que ultrapassem a cota anual estabelecida.

Segundo as informações divulgadas pelo senador, esta nova tarifa, somada à já existente de 12% cobrada dentro da cota, poderia elevar o custo total para impressionantes 67% sobre o volume de carne bovina que exceder o limite permitido. A situação, conforme Flávio Bolsonaro, representa um sério risco para um dos principais produtos de exportação do Brasil.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o senador questionou ironicamente se o presidente Lula também o culparia por essa nova tarifa chinesa, reafirmando seu compromisso em lutar contra imposições tarifárias de qualquer país. A declaração surge em um momento em que Flávio Bolsonaro busca se desvencilhar da pecha de “Tariflávio”, após ter sido associado a tarifas impostas pelos Estados Unidos dias após um encontro com o então presidente Donald Trump.

Entenda a cota e a sobretaxa chinesa

A China, visando proteger sua produção interna, estabeleceu uma cota anual para a importação de carne bovina. Dentro desse limite, uma tarifa de 12% é aplicada. No entanto, o volume que excede essa quantidade está sujeito a uma sobretaxa adicional, que, segundo Flávio Bolsonaro, pode chegar a 55%, elevando o custo total para 67%.

Dados da consultoria StoneX indicam que, até junho, o Brasil já havia utilizado 98,5% da cota chinesa de carne bovina, que totaliza 1,106 milhão de toneladas. Esse esgotamento rápido é atribuído à antecipação de embarques por parte dos exportadores, que buscam garantir espaço dentro do limite anual, considerando o tempo de processamento da carne na China, que varia entre 45 e 60 dias.

Impacto nas exportações e no mercado interno

Com o esgotamento da cota, a StoneX projeta uma queda significativa nas exportações brasileiras para a China durante o terceiro trimestre. A consultoria aponta que o principal impacto no Brasil deve ser sentido na oferta doméstica, com parte da produção que seria destinada ao mercado externo sendo redirecionada para outros compradores ou permanecendo no país.

Juliana Torres Santiago, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que os próximos meses serão de ajuste nas exportações e redistribuição da oferta. Contudo, a perspectiva de retomada das compras chinesas com a abertura de uma nova cota mantém o país asiático como um importante motor de demanda para a carne bovina brasileira.

Dinâmica de mercado, não falha de negociação

É importante ressaltar que a StoneX não atribui o esgotamento da cota a uma falha de negociação do governo brasileiro. A consultoria enfatiza que o movimento observado é resultado de uma dinâmica de mercado natural, onde os exportadores agiram para otimizar seus embarques dentro do limite estabelecido pela China.

A antecipação de remessas é uma estratégia comum diante de prazos de liberação e limites de importação, buscando garantir a rentabilidade e o acesso ao mercado chinês antes que a cota anual se esgote completamente. A situação, portanto, reflete mais uma vez a complexidade e a dinâmica do comércio internacional de commodities agrícolas.

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