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Flávio Bolsonaro usa declaração de Marco Rubio contra Lula para justificar tarifaço e conter desgaste na campanha presidencial

Campanha de Flávio Bolsonaro vê declaração de Marco Rubio como trunfo contra Lula em meio a crise de tarifas dos EUA

Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, acreditam que a articulação de aliados nas redes sociais ajudou a amenizar o impacto político do aumento de tarifas imposto pelo governo americano sobre produtos brasileiros. A estratégia buscou evitar erros do passado, quando declarações de aliados foram vistas como prejudiciais.

Um dos pontos cruciais para essa contenção de danos foi a declaração do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que atribuiu a responsabilidade pela medida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa fala foi rapidamente utilizada por Flávio Bolsonaro em suas redes sociais, seguindo o mesmo argumento.

A percepção na campanha é que, com o endosso de uma figura de alto escalão do governo americano, torna-se mais fácil direcionar a culpa para Lula perante a opinião pública, minimizando o desgaste para a candidatura de Flávio. As informações foram divulgadas por fontes ligadas à campanha do senador.

Aliados de Flávio buscam reverter narrativa sobre tarifas

Apesar da estratégia adotada, a campanha de Flávio Bolsonaro reconhece que o senador tem enfrentado desgastes. A divulgação de uma foto em que Flávio aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como membro de uma milícia particular, gerou apreensão. Ele foi morto em março e, segundo a Polícia Federal, integrava o grupo “A Turma”, que atuava para o banqueiro Daniel Vorcaro.

Outro fator de preocupação foi a pesquisa Quaest, divulgada na terça-feira, que mostrou Lula com 40% das intenções de voto, contra 28% de Flávio, que figura em segundo lugar. Na pesquisa anterior, de junho, a diferença era menor, com Lula a 39% e Flávio a 29%. A campanha avalia que essa pesquisa representa o principal ponto negativo da semana, podendo gerar uma sensação de enfraquecimento.

Pesquisa Quaest aponta responsabilidade de Flávio em tarifaço

A pesquisa Quaest, realizada antes da decisão americana sobre as tarifas, também indicou que a maioria dos brasileiros atribui a responsabilidade pelo aumento de impostos a Flávio Bolsonaro. Conforme o instituto, 51% concordam com Lula no embate político sobre o tema, enquanto 30% apontam Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o principal responsável. Essa percepção pode dificultar a estratégia de defesa da campanha.

Em julho de 2025, quando Donald Trump cogitou medidas semelhantes, Flávio Bolsonaro adotou uma linha de discurso diferente. Na época, ele afirmou que a solução para a crise não estava nos Estados Unidos e que as sanções deixariam de existir se Jair Bolsonaro pudesse disputar as eleições. Agora, a campanha argumenta que o cenário mudou e que Flávio se preparou para evitar a associação com a medida.

Estratégias de Flávio e críticas a Lula

Entre as ações recentes de Flávio Bolsonaro para se desvincular do “tarifaço” estão declarações públicas contrárias ao aumento e viagens aos Estados Unidos em busca de negociação para adiar ou evitar a punição. A campanha do senador critica a postura de Lula, alegando que o presidente não tomou iniciativas semelhantes, como reuniões presenciais ou telefônicas com o governo americano.

O entorno de Flávio avalia que o governo Lula evitou uma negociação conciliadora com a gestão de Trump. Como exemplo, citam uma declaração de Lula no início de junho, na qual chamou Marco Rubio de “latino-americano frustrado”. A campanha também aponta outras dificuldades nas negociações comerciais do Brasil com países como os da União Europeia e a China, que não teriam relação com Flávio Bolsonaro.

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