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FMI recomenda ajuste fiscal nos EUA para cortar déficit em conta corrente estimado em 3,5% a 4,0% do PIB, e alerta que dívida pode chegar a 140% até 2031

FMI reforça necessidade de ajuste fiscal nos EUA, para enfrentar déficit em conta corrente considerado “grande demais”, e aponta risco pela trajetória da dívida pública até 2031

O Fundo Monetário Internacional pediu aos Estados Unidos que reduzam seu crescente déficit fiscal como a melhor forma de diminuir déficits em conta corrente e comercial.

A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que “a conclusão é que o déficit em conta corrente é grande demais, para simplificar para o público, e isso é reconhecido pelo governo”.

As recomendações e projeções sobre crescimento, inflação, déficit e dívida foram apresentadas na revisão anual das políticas dos EUA pelo FMI, conforme informação divulgada pelo FMI.

O que disse o FMI

Segundo a avaliação do Fundo, o déficit em conta corrente dos EUA está estimado entre 3,5% a 4,0% do PIB no curto prazo, e, nas palavras da diretora-geral, “a conclusão é que o déficit em conta corrente é grande demais, para simplificar para o público, e isso é reconhecido pelo governo”.

O diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental, Nigel Chalk, ressaltou que a melhor maneira de reduzir o déficit em conta corrente seria reduzir o déficit fiscal dos EUA, vinculação que sustenta o pedido de ajuste fiscal nos EUA.

Números e projeções chave

O FMI manteve sua previsão de crescimento dos EUA para 2026 em 2,4%, e estimou que a inflação não retornará à meta de 2% do Federal Reserve até o início de 2027.

O Fundo projetou que os déficits fiscais dos EUA permanecerão entre 7% e 8% do PIB nos próximos anos, “mais do que o dobro dos níveis almejados pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent”, e que a dívida pública consolidada atingirá 140% do PIB até 2031.

O FMI ainda advertiu, na declaração inicial do Artigo IV, que, “Embora o risco de tensão soberana nos EUA seja baixo, a trajetória ascendente da relação dívida pública/PIB e os níveis crescentes da relação dívida de curto prazo/PIB representam um risco crescente à estabilidade da economia dos EUA e da economia global”.

Contexto político e medidas do governo

Depois que a Suprema Corte dos EUA considerou ilegais as tarifas de emergência do presidente Donald Trump, o governo invocou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 para substituir as taxas, com o objetivo de melhorar o balanço de pagamentos, segundo a avaliação do Fundo.

A recomendação do FMI por um ajuste fiscal nos EUA surge em meio a esse cenário, com a instituição indicando que cortes no déficit fiscal seriam mais eficazes para reduzir os déficits em conta corrente do que medidas tarifárias isoladas.

Implicações

Para analistas e formuladores de políticas, as projeções do FMI reforçam a necessidade de discutir medidas fiscais mais restritivas, visando conter o déficit e evitar que a trajetória da dívida comece a representar riscos mais sérios à estabilidade doméstica e global.

O debate agora gira em torno de quais ajustes fiscais seriam politicamente viáveis, e como equilibrar crescimento, inflação e sustentabilidade da dívida, sem agravar pressões econômicas imediatas.