Galípolo considera indicar duas mulheres para o Copom, um marco inédito para a diversidade no Banco Central
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, está avaliando a possibilidade de recomendar duas profissionais mulheres para preencher as vagas em aberto no Comitê de Política Monetária (Copom). A informação, divulgada por três fontes com conhecimento direto do assunto à Reuters, indica um movimento significativo em direção à diversidade dentro do órgão máximo de decisão sobre a taxa de juros do país.
Se a indicação for confirmada e aprovada, o Copom, atualmente com sete dos nove assentos ocupados, poderá ter pela primeira vez em sua história uma maioria feminina. Atualmente, a diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta, Izabela Correa, já integra o colegiado, com mandato até 2028.
As discussões sobre as nomeações ocorrem em um cenário de atraso na definição, já que as vagas estão abertas desde janeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é quem tem a palavra final sobre as indicações, um ponto que Galípolo tem enfatizado publicamente. Conforme informação divulgada pela Reuters, o Banco Central não comentou o assunto, e as candidatas não puderam ser contatadas.
Cecilia Machado e Marina Copola são cotadas para diretoria do BC
Entre as profissionais consideradas para a diretoria de Política Econômica do Banco Central, destaca-se **Cecilia Machado**. Ela é economista-chefe do banco BOCOM BBM e possui um PhD em economia pela Universidade Columbia. Sua expertise técnica a posiciona como uma forte candidata para uma das vagas mais importantes do comitê.
Para a diretoria de Organização do Sistema Financeiro, o nome de **Marina Copola** surge como principal candidata. Copola é diretora da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e possui especialização em direito econômico e comercial. Sua experiência em órgãos reguladores é vista como um diferencial para a função.
Histórico de pouca representatividade feminina no BC
A possível nomeação de duas mulheres para o Copom ganha ainda mais relevância quando analisado o histórico da instituição. Dos 142 nomes que já integraram a diretoria colegiada do Banco Central, apenas seis foram mulheres. Essa estatística evidencia o **predomínio masculino** na alta cúpula do BC ao longo de sua trajetória.
O avanço na diversidade de gênero no Copom, caso se concretize, seria um marco importante e refletiria um esforço para trazer novas perspectivas para as decisões de política monetária. A inclusão de mais mulheres no colegiado pode, futuramente, influenciar a forma como as questões econômicas são analisadas e debatidas.
Desafios políticos e a demora nas nomeações
A demora na nomeação para as vagas do Copom, abertas desde janeiro, tem sido objeto de atenção. O presidente Lula, que criticou a lei de autonomia do Banco Central por reduzir sua influência sobre o colegiado, agora enfrenta o desafio de aprovar suas indicações. O Senado Federal é o responsável por ratificar os nomes escolhidos.
A situação se torna ainda mais complexa diante do cenário político. Fontes já haviam sinalizado à Reuters que as vagas poderiam permanecer abertas por meses, devido a possíveis tensões entre o governo e o Senado. A proximidade das eleições gerais de outubro também tende a desacelerar a atividade no Congresso, adicionando mais um fator de complexidade ao processo.
Enquanto as vagas permanecem em aberto, o Banco Central tem operado com apenas sete de seus nove membros. Essa situação, sem precedentes, já afetou a tomada de decisões de política monetária neste ano. A diretoria de Política Econômica está sob condução interina de Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais, e a diretoria de Organização do Sistema Financeiro conta com o apoio de Gilneu Vivan, diretor de Regulação.