Aguarde, Carregando
Pular para o conteúdo

Galípolo: Banco Central em “Luto” e Crise no Master Expõem Urgência de Nova Lei Bancária

Banco Central vive “processo de luto” após escândalo do Banco Master, afirma Gabriel Galípolo

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, revelou nesta quinta-feira, 26, que a autarquia está passando por um “processo de luto” devido ao envolvimento de servidores no escândalo do Banco Master. A notícia abalou a instituição, gerando um sentimento de “consternação” entre os membros do BC.

O escândalo veio à tona com o envolvimento de figuras importantes como o ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana. Essas revelações trouxeram à tona questionamentos sobre a integridade e os processos internos da instituição.

Apesar do abalo, Galípolo ressaltou que os valores de **ética, retidão e governança** são pilares do dia a dia do Banco Central. Ele destacou que, assim que os problemas foram identificados, a autarquia agiu prontamente para buscar soluções e mitigar os impactos negativos, demonstrando um compromisso com a transparência e a resolução de questões internas.

Garantindo a integridade e a resposta rápida do BC

Galípolo enfatizou que a estrutura de governança do Banco Central, baseada em colegiados e processos bem definidos, foi fundamental para que a instituição pudesse identificar as irregularidades. “A casa, o BC, também tem entendimento de que a governança que funciona da maneira como ela funciona por colegiados, por processos, contribuiu também para que a gente pudesse fazer todo o nosso trabalho e pudesse identificar tudo o que foi identificado”, declarou o presidente.

Ele reconheceu, no entanto, que o BC enfrenta **limitações legais** para lidar com esse tipo de problema de forma mais eficaz. A falta de ferramentas jurídicas adequadas dificulta a agilidade e a abrangência da atuação da autarquia em casos de instabilidade financeira e envolvimento de servidores em escândalos.

A urgência do PLP da Resolução Bancária para o futuro do BC

Nesse contexto, Galípolo trouxe à tona a discussão sobre o **Projeto de Lei Complementar (PLP) da Resolução Bancária**, um tema em debate há uma década. A atualização da legislação, que possui mais de 50 anos, é vista como crucial para dotar o BC de instrumentos mais modernos e eficientes.

“Vai completar uma década de discussão e seria muito importante que a gente pudesse ter uma atualização de uma legislação que tem mais de 50 anos e que a gente pudesse ter ferramentas para poder fazer a atuação em casos de problema de estabilidade de maneira mais rápida, com mais instrumentos, com mais ferramentas”, explicou o presidente.

O PLP é considerado um **avanço significativo**, alinhando o Brasil às práticas internacionais. Galípolo ressaltou a importância de debater o projeto em um momento de relativa calma, antes que novas crises demandem a aplicação de instrumentos ainda inexistentes ou desatualizados.

Prevenção de crises: agir em tempo de paz

“A história mostra que, no final do dia, a gente tem que usar essas ferramentas para discutir se a gente vai fazer isso em tempo de paz e calmaria, que a gente pode debater de maneira tranquila, ou se a gente vai ser pressionado”, alertou Galípolo, reforçando a necessidade de aprovação do PLP.

O projeto já esteve na pauta da Câmara dos Deputados em março, mas a votação foi adiada por falta de acordo político. A aprovação do PLP da Resolução Bancária é vista como um passo fundamental para fortalecer a capacidade de atuação do Banco Central e garantir a estabilidade do sistema financeiro nacional.

Galípolo participou de uma entrevista coletiva para apresentar o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre de 2026, momento em que também abordou a situação delicada enfrentada pela autarquia.