Anthony Garotinho (Republicanos) tem candidatura ao governo do Rio homologada em convenção, mirando o Palácio Guanabara pela quarta vez.
A candidatura de Anthony Garotinho, do partido Republicanos, ao governo do Rio de Janeiro foi oficializada em convenção estadual realizada neste sábado (29) na Zona Norte da capital. A decisão marca o retorno do ex-governador à disputa pelo Palácio Guanabara após a suspensão de sua inelegibilidade por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Garotinho, que já comandou o estado entre 1999 e 2002, buscará o cargo pela quarta vez nas últimas três décadas. Sua trajetória política inclui passagens polêmicas e processos judiciais que o levaram a ser considerado inelegível por um período.
A chapa do Republicanos conta com o coronel da reserva Venâncio Moura como candidato a vice-governador. Para o Senado, o partido lança os ex-prefeitos Marcelo Crivella e Waguinho. Conforme informação divulgada pelo portal G1, a convenção foi realizada no Ginásio Alah Baptista, do Club Municipal, na Tijuca.
Discurso Focado em Segurança e Críticas aos Adversários
Durante seu discurso na convenção, Anthony Garotinho direcionou fortes críticas a adversários políticos e apresentou suas propostas, com ênfase na segurança pública. Ele declarou que sua primeira missão, caso eleito, será “libertar o Rio de Janeiro das três organizações criminosas” que, segundo ele, dominam o estado.
Garotinho equiparou a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a facções criminosas. “A tarefa número um do nosso governo é libertar o Rio de Janeiro das três organizações criminosas que dominam esse estado: os criminosos do tráfico, os criminosos da milícia e os criminosos da Alerj. Talvez essa seja a pior das facções”, afirmou o candidato.
Ele também criticou o que chamou de “governo desmoralizado” do Rio de Janeiro, em alusão à gestão do atual governador Cláudio Castro, e atacou o prefeito da capital, Eduardo Paes, sem citar nomes diretamente.
Propostas para Saúde e Educação
Na área da saúde, Garotinho prometeu acabar com a “fila da mentira” do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), propondo a ampliação do funcionamento da rede hospitalar como solução. Quanto à educação, o ex-governador declarou a intenção de promover uma “revolução” no ensino público, visando preparar os estudantes para as novas profissões e para o mercado de trabalho.
“Bope 2.0” e Estratégia de Segurança Pública
Em entrevista coletiva após a convenção, Garotinho detalhou sua visão para a segurança pública. Ele defendeu sua experiência na área e apresentou a ideia de criar um batalhão especializado, batizado de “Bope 2.0”. A proposta visa a ocupação prolongada de comunidades para erradicar a presença de facções criminosas.
“Não é fazer operação-marketing: entra, mata um monte de gente e sai no dia seguinte. É ocupar a comunidade por 30 dias, 60 dias, 90 dias, o tempo que for necessário. Só sai de lá depois que o território estiver todo tomado, de verdade”, explicou Garotinho sobre a nova estratégia.
Decisão do STF e Histórico Judicial
A viabilização da candidatura de Anthony Garotinho foi possível graças a uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do STF, que suspendeu os efeitos de sua condenação na Operação Chequinho, afastando provisoriamente sua inelegibilidade. Com isso, o ex-governador recuperou temporariamente seus direitos políticos.
A condenação em questão, relacionada às eleições municipais de 2016 em Campos dos Goytacazes, envolve crimes como corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento e coação no curso do processo. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia confirmado a condenação, inicialmente fixada em nove anos e onze meses de prisão, posteriormente elevada para 13 anos e nove meses pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
A defesa de Garotinho alega que a condenação se baseou em provas digitais obtidas irregularmente, sem perícia técnica e com quebra da cadeia de custódia. O recurso em análise no STF questiona a validade dessas provas, que teriam sido extraídas de computadores da prefeitura por meio de pen drives.
Anthony Garotinho foi preso pela primeira vez em novembro de 2016, durante a Operação Chequinho. Ele também foi preso em setembro de 2017, sob acusação de tentar obstruir as investigações da Operação Chequinho, e em novembro de 2017, na Operação Caixa D’Água, que apurava suspeitas de caixa dois e corrupção. Em todas as ocasiões, sua prisão foi posteriormente revogada por decisões judiciais.

