Eduardo Girão critica apoio da direita a Ciro Gomes no Ceará e cita Michelle Bolsonaro
O senador Eduardo Girão (Novo), pré-candidato ao governo do Ceará, voltou a criticar veementemente a aliança de setores da direita cearense com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que será seu adversário na disputa pelo Palácio da Abolição. Girão classificou Ciro Gomes como um representante da “esquerda raiz” e alertou para a possibilidade de uma futura traição política.
As declarações foram feitas durante o Encontro Nacional do Partido Novo, em São Paulo, neste sábado (18). O senador também pediu o apoio e as orações dos presentes para fortalecer a “resistência” no Ceará, contando com o respaldo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que já havia apoiado sua pré-candidatura.
As divergências internas no PL sobre o apoio a Ciro Gomes ganharam repercussão nacional após Michelle Bolsonaro alegar ter sido “desrespeitada” e “maltratada” por Flávio Bolsonaro, seu enteado. O motivo teria sido a discordância dela com as articulações do senador para apoiar Ciro no Ceará, conforme informações divulgadas pela imprensa.
Girão questiona “verdadeira direita” e coerência de alianças
Em junho, Eduardo Girão já havia expressado sua insatisfação com o apoio do PL a Ciro Gomes. “A verdadeira direita, com todo respeito, não pode estar nessa outra aliança. Inclusive, eu acredito que isso mostra uma incoerência muito grande“, afirmou em entrevista ao Diário do Nordeste.
O senador argumentou que o PL deveria estar alinhado com o Novo, destacando a proximidade de votações no Congresso Nacional e a oposição firme de seu partido ao PT. “Nosso partido tem sido ferrenho, 100% oposição ao PT. Quem é oposição somos nós, não temos ninguém que foi ministro de Dilma, de Lula”, completou.
PL no Ceará anuncia apoio a Ciro Gomes contra o PT
Em maio, o deputado federal André Fernandes, presidente do núcleo local do PL, anunciou o apoio a Ciro Gomes, justificando que “toda ajuda é bem-vinda” para derrotar a gestão do PT. Fernandes reconheceu as trocas de críticas anteriores com Ciro, mas ponderou que as “diferenças sempre irão existir”.
A primeira manifestação pública de Michelle Bolsonaro contra essa aliança ocorreu durante o lançamento da pré-candidatura de Girão. Na ocasião, André Fernandes alegou ter o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro para buscar a composição com Ciro Gomes.
Michelle Bolsonaro relata “desrespeito” e “maltrato” de Flávio Bolsonaro
Um vídeo divulgado por Michelle em junho detalhou o atrito com Flávio Bolsonaro. Ela relatou que, após se posicionar contra a aliança com Ciro, foi tratada com rispidez pelo senador em uma ligação telefônica. “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou.
Michelle também mencionou que Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro fizeram ataques “de forma coordenada” nas redes sociais após sua discordância, sem antes procurá-la para conversar. Ela se disse surpresa ao ver as postagens em defesa da articulação, criticando o tom agressivo e a defesa de André Fernandes.
Flávio e Eduardo Bolsonaro defendem aliança com Ciro e citam Jair Bolsonaro
Em dezembro do ano passado, Flávio Bolsonaro já havia criticado Michelle, chamando-a de “autoritária” por discordar da articulação conduzida por Fernandes no Ceará. Carlos Bolsonaro, por sua vez, afirmou nas redes sociais que a aproximação com Ciro foi feita com aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfatizando a necessidade de “estar unido” e respeitar a liderança paterna.
Eduardo Bolsonaro ecoou o posicionamento dos irmãos, declarando que Flávio estava correto e que a atitude em relação a André Fernandes foi “injusta e desrespeitosa”. Ele reforçou que a decisão partiu de Jair Bolsonaro, independentemente de ser um bom ou mau acordo.

