Comissários da WestJet entram em greve, impactando centenas de voos no Canadá e gerando transtornos a passageiros durante feriado
A WestJet, segunda maior companhia aérea do Canadá, enfrenta uma paralisação de seus comissários de bordo, iniciada neste domingo, 2. A greve, anunciada pelo Sindicato Canadense de Funcionários Públicos (CUPE), que representa os 4.400 assistentes de bordo, já resultou no cancelamento de mais de 300 voos apenas no primeiro dia, afetando significativamente os planos de viagem de muitos canadenses em meio a um feriado prolongado de três dias.
A principal divergência entre o sindicato e a companhia aérea reside na forma como os comissários são remunerados por tarefas realizadas quando a aeronave está em solo. Enquanto o sindicato alega que parte dessas atividades não é devidamente compensada, a WestJet defende que os funcionários são pagos através de um sistema de “horas de crédito”, em vez de uma tarifa horária tradicional.
Essa situação levou a um impasse nas negociações, com ambos os lados expressando a vontade de retomar o diálogo para alcançar um acordo. A notícia foi divulgada pelo CUPE através de sua página no Facebook, detalhando os motivos da paralisação e a busca por melhores condições de trabalho. Conforme informação divulgada pelo CUPE e pela imprensa canadense, a greve é um desdobramento decepcionante, segundo a ministra do Trabalho e da Família do Canadá, Patty Hajdu.
Disputa Salarial e Pagamento de Horas em Solo no Centro do Conflito
Um dos pontos centrais da greve é a remuneração das horas de trabalho em solo. O sindicato argumenta que o sistema atual da WestJet não cobre integralmente o tempo dedicado a tarefas antes e depois dos voos, o que representa uma perda salarial para os comissários. Eles buscam um reconhecimento mais justo do tempo dedicado às suas funções.
Por outro lado, a WestJet afirma ter apresentado uma proposta que considera inovadora. O CEO do Grupo WestJet, Alexis von Hoensbroech, declarou que a oferta visava estabelecer um novo padrão para comissários no Canadá, com um aumento salarial de dois dígitos no primeiro ano e a cobertura de todo o tempo de trabalho em solo. “Infelizmente, não foi aceita”, lamentou o executivo.
Sindicato Busca Acordo Justo e Companhia Aérea Lamenta a Paralisação
Alia Hussain, presidente da seção sindical que representa os comissários, reiterou que os negociadores trabalharam “até o último minuto” para conseguir um “acordo justo”. Ela enfatizou que a oferta final da WestJet não foi suficiente para atender às expectativas e necessidades dos trabalhadores. “A oferta da WestJet não foi suficiente”, ressaltou.
Apesar da paralisação, a WestJet Encore, operada com aeronaves Q400, e os voos em regime de code-share com companhias parceiras não foram afetados. Passageiros com voos cancelados estão buscando alternativas, o que gera um clima de incerteza e frustração.
Histórico de Greves e Impacto nos Passageiros
A situação na WestJet ecoa um episódio similar ocorrido em agosto de 2025, quando comissários da Air Canada também entraram em greve por questões salariais semelhantes. Na ocasião, mais de 100 mil passageiros ficaram retidos durante a alta temporada, evidenciando o impacto significativo que essas paralisações podem ter no setor aéreo e na vida dos viajantes.
A ministra do Trabalho e da Família do Canadá, Patty Hajdu, classificou a greve atual como “um desdobramento decepcionante”, demonstrando a preocupação do governo com a situação e os transtornos causados aos passageiros.
Ambos os lados, sindicato e companhia aérea, manifestaram disposição para retomar as negociações, na esperança de encontrar uma solução que satisfaça as partes e restabeleça a normalidade nas operações da WestJet.

