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Grupo Lebes, estratégia e reinvenção: como o varejista gaúcho que quase quebrou se reorganizou, verticalizou operações e mira R$ 2 bilhões em faturamento

Transformação do varejo gaúcho em ecossistema, com integração de indústria têxtil, logística e serviços financeiros, rumo a um faturamento de R$ 2 bilhões

O Grupo Lebes saiu de um pequeno comércio de secos e molhados no interior do Rio Grande do Sul para se tornar uma das maiores redes de departamentos do país.

A trajetória incluiu crises, mudança de foco para lojas de departamento, verticalização e a integração de várias unidades de negócio ao longo de décadas, sempre com forte presença no interior gaúcho.

conforme informação divulgada pelo InfoMoney.

Origem, crise e decisão de assumir o comando

A história da família que criou o negócio começou há cerca de 70 anos, quando o pai do atual presidente abriu a primeira loja de departamentos. Desde 2015, Otelmo Drebes assumiu a presidência e conduziu mudanças significativas.

Ao voltar para a empresa, Drebes enfrentou um quadro delicado, ele próprio relata, “Ganhava um bom salário pra aquela época e pedi demissão. Quandoi fiz isso meu chefe me encaminhou para o médico. Pedir para sair do Banco do Brasil era como se você estivesse com um problema psicológico”, e ainda, “Seria do menos zero ao topo. A empresa tinha muitos sócios e estava toda endividada”.

Estratégia societária e aquisições

Para viabilizar decisões rápidas e uma expansão planejada, Drebes optou por reorganizar a estrutura societária e consolidar participações, explicando, “Ou eu trabalho para a empresa crescer e depois comprar os outros sócios ou eu compro os sócios primeiro e depois cresce”.

Ao concentrar controle, o grupo pôde crescer de forma gradual, inicialmente na própria região, preservando relacionamento com clientes e fornecedores locais, e evitando movimentos bruscos que pudessem comprometê-lo.

Novo modelo de negócios e verticalização

O Grupo Lebes deixou o segmento de supermercados e focou em lojas de departamento com operação cada vez mais verticalizada. Hoje, a companhia reúne varejo, logística, crédito e uma indústria própria de confecções.

A operação industrial produz, em média, 800 mil peças por ano, e a rede já soma mais de 300 lojas, consolidando presença entre as maiores redes de departamentos do Brasil.

Cultura local e vínculo com colaboradores e clientes

A proximidade com as comunidades do interior é tratada como vantagem competitiva. Drebes costuma destacar laços pessoais com funcionários e clientes, dizendo, “As pessoas vão na nossa loja para tomar o chimarrão. No dia do aniversário de cerca de 500 funcionários eu ligo para eles mesmo se estou viajando. Tenho o controle disso. A satisfação que as pessoas têm é tão grande que aí cria vínculo emocional. Seja com cliente, fornecedor ou funcionário que a gente trabalha, eu preservo muito isso”.

Esse vínculo emocional é parte da estratégia para concorrer com grandes players, mantendo clientes fiéis e rede de fornecedores local.

Perspectivas, faturamento e cautela na expansão

Ao ampliar operações e integrar diferentes frentes de negócio, o Grupo Lebes projeta alcançar R$ 2 bilhões em faturamento ainda neste ano, ao combinar varejo, logística, indústria têxtil e serviços financeiros.

Apesar das metas ambiciosas, Drebes diz que a prioridade é o crescimento sustentável, afirmando, “Eu não posso pensar em grande expansão. Preciso trabalhar um pouco mais com os pés no chão. Muita gente depende de mim. Preciso manter isto dentro de uma certa estabilidade, com um pequeno crescimento”.

O caso do grupo mostra que reorganização societária, foco na verticalização e investimento em proximidade com comunidades podem transformar uma rede regional quase falida em um ecossistema empresarial capaz de buscar faturamento bilionário.