Haddad critica juros altos e defende corte antecipado da Selic, apontando para “normalidade” pós-eleições
Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, declarou que o Banco Central (BC) está “criando um problema desnecessário” ao manter a taxa básica de juros em 14,25% ao ano. Segundo ele, a taxa Selic não precisava ter atingido os 15% no ano passado e o BC deveria ter iniciado o ciclo de cortes mais cedo.
Essas são as duas principais objeções de Haddad à atual política monetária. Ele argumenta que a alta taxa de juros é o principal fator de endividamento do Estado, tornando inviável a busca por um superávit primário que compense seus custos. “Você vai matar as pessoas para pagar essa taxa de juros”, afirmou o ex-ministro, enfatizando que o problema reside na própria taxa.
O petista ressaltou que, pela primeira vez em muitos anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhará ao Congresso uma proposta de Orçamento com superávit ao final de seu mandato. Ele lembrou que tal feito não ocorre desde o segundo mandato de Lula, já que as gestões de Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro não deixaram previsões orçamentárias superavitárias para seus sucessores. Conforme informação divulgada pelo grupo Derrubando Muros, Haddad acredita que a continuidade do saneamento das contas públicas, que teriam se deteriorado entre 2013 e 2022, poderá permitir uma **mudança radical na política monetária após as eleições**, voltando à normalidade com o avanço do ajuste fiscal.
Juros altos: o “problema desnecessário” para Haddad
Para Haddad, a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em patamares elevados é uma escolha que gera dificuldades financeiras desnecessárias para o país. Ele defende que um **corte mais antecipado nos juros** seria mais benéfico para a economia e para a gestão das contas públicas, evitando o agravamento do endividamento do Estado.
Impacto na dívida pública e a busca pelo superávit
O ex-ministro da Fazenda enfatizou que a **taxa de juros é o que está endividando o Estado**, e não outros fatores. Ele argumenta que a busca por um superávit primário se torna ineficaz diante dos altos custos da dívida pública gerada pelos juros elevados. “Você não tem como fazer um superávit primário que compense essa taxa de juros”, declarou Haddad, criticando a atual política monetária.
Ajuste fiscal como chave para a “normalidade”
Haddad vê o **avanço do ajuste fiscal** como um elemento crucial para que a política monetária possa retornar à normalidade. Ele acredita que o saneamento das contas públicas, que se deterioraram entre 2013 e 2022, abrirá caminho para uma reavaliação e adequação das taxas de juros após o período eleitoral, permitindo um cenário econômico mais estável.
Orçamento superavitário: um marco para o governo Lula
O pré-candidato destacou um feito inédito em muitos anos: a proposta de Orçamento com superávit que será encaminhada ao Congresso pelo governo Lula. Segundo ele, este é um indicativo de melhora na gestão fiscal, contrastando com os mandatos anteriores. A expectativa é que essa **melhora nas contas públicas** contribua para a viabilização de uma política monetária mais condizente com as necessidades do país.

