Pesquisa da CNseg mostra que 80% das seguradoras adotaram IA, com impacto direto no atendimento, aumento de produtividade e metas para automatizar processos nos próximos anos
As seguradoras brasileiras aceleraram a adoção de IA, e os efeitos já aparecem no dia a dia do cliente, com atendimento mais rápido e propostas emitidas com maior agilidade.
No levantamento, as empresas apontam ganhos operacionais, expectativas de investimento e também limitações orçamentárias que freiam a escala de projetos.
Os dados constam em estudo divulgado pela CNseg, conforme informação divulgada pela CNseg.
O que os números mostram na prática
Segundo o levantamento, 80% das empresas do setor já implementaram soluções de inteligência artificial em suas operações.
Os resultados apontam redução de 30% a 50% no tempo de resposta ao consumidor, aumento de 100% no volume de cotações realizadas, crescimento de 30% na produtividade das áreas de TI, e, para 88% das empresas, melhoria das capacidades tecnológicas existentes.
Esses ganhos se traduzem em respostas mais rápidas em canais digitais, chatbots mais assertivos, maior agilidade na emissão de propostas e apólices, e precificação mais alinhada ao perfil de risco do cliente.
Declarações dos líderes e direção das iniciativas
O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destacou a tendência de crescimento, dizendo, “As empresas brasileiras estão aderindo rapidamente ao uso da inteligência artificial. É uma tendência do mercado nos próximos anos usar cada vez mais a IA nos processos das companhias”.
Para Alexandre Leal, diretor técnico de estudos e relações regulatórias da CNseg, o impacto mais imediato aparece no atendimento, e a análise de comportamento pode levar a novos serviços e a modelos de precificação mais precisos.
Leal afirma, “No final do dia, é o que faz com que, dentro de um mercado competitivo, você tenha um preço mais adequado para o consumidor final.”
Motivações, metas e projeções para investimento
Ao serem questionadas sobre os principais motivos para investir em IA em 2025, as seguradoras apontaram, 100%: aumento de produtividade, 81%: melhoria na experiência do cliente, 69%: automação de tarefas, 65%: redução de custos, 50%: diferenciação competitiva, 35%: geração de novas receitas, 15%: reforço de segurança e gestão de risco.
O estudo aponta que 77% das empresas classificam os ganhos como incrementais, ou seja, aprimoramento de processos existentes, com eficiência, mas sem mudança estrutural do modelo de negócios.
Nas projeções, 68% esperam ter processos totalmente automatizados em até cinco anos, 66% pretendem priorizar a criação de uma equipe dedicada à IA, 58% projetam investir até 1% da receita em IA em 2026, 62% esperam redução de custos superior a 1% já no próximo ano, sendo que 20% projetam queda acima de 5%.
Ainda assim, 84% das empresas estimam que o aumento de receita diretamente associado à IA será de até 1%, o que reforça o foco atual em eficiência operacional.
Barreiras para escalar projetos e próximos passos
O principal freio à criação de equipes dedicadas e à escalabilidade é orçamental, com 70% das empresas citando custo e restrições orçamentárias.
Outras barreiras mencionadas foram percepção de retorno inadequado, com 52%, priorização de soluções prontas de menor custo, com 37%, insuficiência de expertise interna, com 33%, e ambiguidade regulatória, com 8%.
O diagnóstico da CNseg aponta consolidação, com a inteligência artificial saindo do discurso e integrando o dia a dia das seguradoras, e para o consumidor, efeitos mais visíveis como atendimento mais rápido, processos simplificados e maior personalização.