Ibovespa Fechamento Estável com Petrobras em Alta e Dólar a R$ 5,11; Bolsas Americanas em Queda com Chips

Ibovespa fecha estável, pressionado por bancos, mas com alívio da Petrobras em dia de aversão ao risco global. Dólar avança ante real em meio a incertezas.

O Ibovespa encerrou a sexta-feira com uma leve queda de 0,06%, aos 173.714,08 pontos. A estabilidade foi impulsionada pelas ações da Petrobras, que se beneficiaram da alta do petróleo, compensando a pressão negativa do setor bancário. Contudo, o índice acumulou uma perda de 2,33% na semana, a primeira em um mês.

O cenário internacional foi marcado por um forte aversão ao risco. As bolsas americanas fecharam em queda acentuada, refletindo preocupações com os altos gastos em inteligência artificial e uma nova rodada de vendas em ações de tecnologia, especialmente no setor de semicondutores. O Nasdaq, por exemplo, recuou 1,40% no dia.

Em contrapartida, o preço do petróleo disparou, com o WTI e o Brent registrando altas superiores a 4%, impulsionados pela escalada das tensões no Oriente Médio, com ataques entre Israel e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz. No câmbio, o dólar à vista subiu 0,24%, cotado a R$ 5,1112, acompanhando a valorização global da moeda americana.

Queda em Wall Street e o Setor de Tecnologia em Destaque

As bolsas de valores dos Estados Unidos registraram perdas significativas nesta sexta-feira. O Dow Jones caiu 0,77%, o S&P 500 recuou 1,01%, e o Nasdaq teve uma desvalorização de 1,40%. A principal causa dessa retração foi a venda generalizada de ações de empresas ligadas à inteligência artificial e fabricantes de chips.

A Nvidia, que tem liderado o movimento do mercado, caiu 2,21%. Outras gigantes do setor, como Intel e AMD, também registraram perdas, recuando 2% e 1,03%, respectivamente. A Apple chegou a superar a Nvidia em valor de mercado durante o pregão, mas a fabricante de chips recuperou a liderança antes do fechamento.

Essa correção no setor de tecnologia levanta questões sobre a sustentabilidade do recente boom impulsionado pela IA. A realização de lucros e o questionamento sobre a sustentabilidade dos investimentos em IA contribuíram para o nervosismo dos investidores, que se espalhou de Seul à Europa.

Petróleo em Alta com Geopolítica no Oriente Médio

A escalada das tensões no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo. A continuidade dos ataques entre Israel e Irã no Golfo Pérsico e a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz elevaram os preços do WTI em 4,47%, a US$ 81,78 o barril, e do Brent em 4,59%, a US$ 88,10. Na semana, os ganhos acumulados chegaram a 14,5% e 15,9%, respectivamente.

O Kuwait acusou o Irã de atacar uma usina de energia e dessalinização de água, aumentando as preocupações com a segurança regional. Essa instabilidade geopolítica tem um impacto direto no mercado de energia global, com o transporte marítimo sendo ameaçado.

Dólar Sobe e Real Mostra Resiliência Parcial

O dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,24%, cotado a R$ 5,1112. A moeda americana acompanhou a valorização global em meio ao aumento das tensões geopolíticas. Apesar da alta, o real apresentou um desempenho relativamente melhor do que outras moedas emergentes, beneficiado pela forte alta do petróleo.

Na semana, o dólar acumulou um leve avanço de 0,05%. O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que a consolidação da economia brasileira permite ao governo proteger a população de choques externos, citando a resiliência do país diante de cenários como a guerra no Oriente Médio e as tarifas americanas.

Tarifas dos EUA e o Impacto no Agronegócio Brasileiro

O governo brasileiro, através da ApexBrasil, informou que os Estados Unidos podem anunciar uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros na próxima semana, relacionada a práticas de trabalho forçado. Essa medida se soma à tarifa de 25% já anunciada, que afetará cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro, segundo a CNA.

O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, classificou a nova tarifa como “absurda do ponto de vista comercial” e anunciou um plano de diversificação de mercados para produtos afetados. Ele destacou que as tarifas americanas impactam a inflação nos EUA e que o Brasil buscará exportar para destinos onde ainda não atua.

O BNDES solicitou R$ 7,25 bilhões ao Ministério da Fazenda para reforçar linhas de crédito destinadas a empresas afetadas pelas tarifas americanas, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo. O governo brasileiro, por sua vez, não avalia retaliação contra os EUA, mas sim a avaliação de mecanismos de reciprocidade, com cautela para não prejudicar a trajetória fiscal.

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