A euforia em torno da inteligência artificial (IA) tem gerado mais ruído do que resultados concretos no mundo corporativo, ao menos por enquanto.

É o que avalia Gabriel Raoni, sócio e cogestor da IP Capital Partners, gestora independente de recursos. Para ele, a adoção empresarial da tecnologia “mal começou”, tanto no Brasil quanto no exterior. O mercado financeiro, segundo Raoni, tem cometido o erro de extrapolar tendências de curto prazo como se fossem irreversíveis.

“Se o CEO da Microsoft pegou uma tendência de curto prazo e extrapolou em relação à inteligência artificial, imagine nós mortais”, disse Raoni durante entrevista ao programa Stock Pickers. Ele citou a previsão de Satya Nadella, CEO da Microsoft, em 2023, de que as margens do Google no negócio de buscas jamais voltariam a crescer com o advento da IA. “Aconteceu o oposto. A margem subiu de lá para cá”, afirmou o gestor.

O alerta do especialista destaca a necessidade de “humildade intelectual gigante” e disposição para rever opiniões ao acompanhar o tema. A IP Capital busca adotar essa postura, acompanhando o assunto de perto. Conforme informação divulgada pelo programa Stock Pickers, a inteligência artificial ainda engatinha nas empresas, segundo o gestor da IP Capital.

Uma revolução barulhenta e diferente

Raoni traçou um paralelo entre a inteligência artificial e as grandes ondas tecnológicas anteriores, como a internet, os celulares e a computação em nuvem. Ele explicou que as revoluções passadas focavam na comunicação e na distribuição de informação, enquanto a atual é uma revolução de poder computacional, algo que geracionalmente não vivenciamos antes.

Uma distinção crucial, segundo o gestor, é a ordem de adoção. Tecnologias como GPS e computadores chegaram primeiro às empresas e governos, e depois ao público em geral. A inteligência artificial, no entanto, fez o caminho inverso: começou massificada com o ChatGPT em 2022 e agora começa a ser absorvida pelo mundo corporativo.

“O mundo corporativo e o mundo governamental mal começaram a festa”, disse Raoni. Esse processo, na sua avaliação, tornou a revolução atual muito mais “barulhenta” do que as anteriores, o que se reflete na volatilidade dos mercados internacionais. A inteligência artificial, portanto, ainda é uma novidade para muitas organizações.

Investimentos triplicam e demanda responde

No universo das grandes empresas de tecnologia, os números relacionados à inteligência artificial são impressionantes. Entre 2023 e 2025, os investimentos combinados de Microsoft, Alphabet (dona do Google), Amazon, Meta e Oracle triplicaram, saindo de cerca de US$ 130 bilhões para aproximadamente US$ 413 bilhões. Em 2026, o ritmo acelerou ainda mais, com uma previsão média de crescimento de 75% nos investimentos.

“Todo mundo foi surpreendido. Eu tinha no meu modelo um investimento combinado da Amazon em US$ 140 bilhões. Ela está investindo US$ 200 bilhões este ano”, revelou Raoni. O total do setor deve chegar perto de US$ 750 bilhões em 2026, com projeções de ultrapassar US$ 1 trilhão no ano seguinte. A inteligência artificial impulsiona esses números.

O consumo de “tokens” explode com a IA

A demanda por recursos de inteligência artificial tem correspondido ao aumento dos investimentos. O consumo de “tokens”, que são a unidade básica de processamento dos modelos de linguagem e uma boa métrica para medir o uso real da tecnologia, explodiu. A inteligência artificial gera essa alta demanda.

“A Amazon menciona que no primeiro trimestre teve mais consumo de tokens do que em todos os anos anteriores somados, de 2022 até 2025”, afirmou Raoni. Isso demonstra o rápido crescimento e a adoção da inteligência artificial, apesar de o gestor da IP Capital alertar que a adoção empresarial ainda está em seus estágios iniciais.

By Vanessa