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Investidor se proteger em tempos de guerra, 10 táticas essenciais para preservar patrimônio, reduzir risco e aproveitar oportunidades com ouro, dólar e renda fixa

Em meio à escalada entre Irã, Estados Unidos e aliados, saiba como o investidor pode agir para proteger capital, reduzir exposição local, manter liquidez e evitar decisões emocionais

Os mercados reagiram com aversão ao risco, e investidores buscam proteção em ativos líquidos e globais, enquanto a volatilidade aumenta e setores cíclicos sofrem mais.

Especialistas recomendam disciplina, diversificação real, exposição internacional e liquidez suficiente para não ser forçado a vender em queda.

As orientações e dados compilados nesta matéria são baseados em declarações de analistas e instituições consultadas, entre elas Asset Bank, SWM Multi Family Office, Ouro Preto Investimentos, Forum Investimentos, Suno Research, Faz Capital e Stonex, conforme informações divulgadas por essas fontes.

Não reagir por impulso, entenda a reprecificação do risco

O primeiro passo para o investidor se proteger em tempos de guerra é manter a calma e evitar decisões emocionais diante da forte volatilidade. Como alerta Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, “o maior erro do investidor é reagir emocionalmente à volatilidade de curto prazo”, porque conflitos geopolíticos provocam uma reprecificação abrupta do risco, sem necessariamente destruir o valor estrutural dos ativos.

O mercado tende a embutir prêmios maiores em juros, câmbio e ações, o que explica quedas rápidas, muitas vezes temporárias. A elevação do chamado índice do medo, o CBOE Volatility Index, ilustra esse movimento, “chegou a subir mais de 15% e reduziu a alta para 6% no início da tarde”, dado que traduz a alta da aversão ao risco nos mercados globais.

Ativos defensivos e diversificação, onde buscar proteção

Historicamente, capital se desloca para ativos considerados porto seguro, como dólar, ouro e títulos soberanos, além de empresas ligadas a energia e commodities, afirma Assis. Marcelo Karvellis, CIO da SWM, reforça que “há a valorização de ativos considerados porto seguro, como o ouro”, enquanto o petróleo sobe diante do risco de interrupções de oferta.

Para reduzir risco, analistas recomendam: exposição internacional para diluir risco local, posições dolarizadas, e ativos de renda fixa de qualidade como proteção quando a inflação e juros podem subir. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, lembra que, se a tensão for pontual, parte do prêmio de risco pode ser devolvido rapidamente, mas se houver prolongamento, petróleo elevado pode pressionar inflação e juros.

Renda fixa, liquidez e ajustes práticos na carteira

Em cenários de escalada geopolítica, priorizar liquidez é crucial. Bruno Perri, da Forum Investimentos, aponta que alternativas como Tesouro Selic e CDBs de bancos sólidos protegem o capital e mantêm flexibilidade, porque permitem aguardar até que a volatilidade diminua.

Reduzir alavancagem e ajustar o tamanho das posições são medidas concretas recomendadas por Sidney Lima e outros analistas, porque diminuem o risco de venda forçada. Joāo Daronco, da Suno Research, resume bem, “o primeiro cuidado é não agir por impulso, ser racional”, já que é difícil prever duração e intensidade do conflito.

Oportunidades de médio prazo e critérios para escolher ativos

Enquanto alguns setores sofrem, outros podem se beneficiar. Alexandre Pletes, da Faz Capital, lembra que o petróleo já vinha em alta, “agora com o conflito ele somou uma alta em torno de 8%”, e que, no médio prazo, há expectativa de normalização do fluxo pelo Estreito de Ormuz, o que poderá reduzir a pressão sobre preços.

Maria Levorin, da Multiplica Crédito e Investimento, e outros especialistas destacam que empresas sólidas, com geração de caixa previsível, baixa alavancagem e capacidade de repasse de preços, tendem a manter fundamentos preservados. Movimentos de compra podem surgir quando quedas refletem aversão ao risco e não deterioração estrutural dos resultados.

Em resumo, para o investidor se proteger em tempos de guerra, as táticas essenciais são: manter disciplina e liquidez, reduzir concentrações locais, equilibrar a carteira com ativos descorrelacionados e priorizar títulos e empresas de qualidade. Focar na preservação do capital permite aproveitar, depois da turbulência, oportunidades de entrada para o próximo ciclo de valorização.