A análise do JPMorgan sobre a WEG mudou após o balanço do quarto trimestre de 2025, com revisão de estimativas e mudança na recomendação da ação.
O banco reduziu o preço-alvo e rebaixou a recomendação de overweight para neutra, enquanto explica que parte do ajuste reflete números operacionais e um câmbio mais forte.
Essas atualizações levaram a reação negativa do mercado, com a ação caindo no dia, conforme informação divulgada pelo JPMorgan.
Por que o JPMorgan rebaixou a WEG
O JPMorgan cortou projeções de lucro por ação, com uma revisão para baixo de 4/5% no LPA para 2026/2027, segundo os analistas do banco. A casa também considerou um real mais forte do que o estimado, projetando o câmbio a R$ 5,40 para o final do ano, contra R$ 5,65 anteriormente, e em comparação com o nível à vista de R$ 5,12.
O efeito combinado dessas variáveis fez com que, nas novas estimativas do banco, os números ficassem 4/5% abaixo do consenso para o LPA em 2026/2027.
Avaliação, múltiplos e comparação com pares
Considerando as novas projeções, o JPMorgan coloca a WEG negociada a 21,6x/18,3x na relação EV/Ebitda para 2026/2027 e a 31,4x/26,6x no P/L para os mesmos anos, o que representa um prêmio de aproximadamente 22% sobre o nível histórico de 15 anos.
Com base no consenso para os próximos 12 meses, as ações são precificadas a cerca de 20,9 vezes EV/EBITDA e 29,3 vezes P/L, valores que, segundo o banco, equivalem a prêmios de aproximadamente 4% e 22%, respectivamente, em relação às médias históricas.
O JPMorgan observa que o aumento do valuation do setor de bens de capital reduziu o diferencial tradicional da WEG frente a pares internacionais, com a companhia hoje negociando um prêmio de cerca de 40% no EV/Ebitda, bem abaixo da média histórica de 80% a 90% em janelas de cinco e quinze anos. No múltiplo P/L, o prêmio atual de 30% compara-se a níveis históricos de 55% a 60%.
Quando confrontada com gigantes globais como ABB, Schneider Electric, Siemens, Emerson e Eaton, a WEG permanece entre as mais caras do grupo, com um prêmio estimado de 16% no EV/Ebitda e 20% no P/L para 2026, segundo o relatório.
Em um exercício que relaciona EV/Ebitda e crescimento de EBITDA, o JPMorgan estima um múltiplo justo de 18,3x EV/Ebitda para a WEG, o que implicaria numa contração de cerca de 15% em relação ao nível atual.
Reação do mercado e perspectivas para o papel
Na prática, o banco reduziu o preço-alvo de R$ 50 para R$ 49, ou um valor 2,25% menor em relação ao último fechamento. Em pregão, às 10h31 (horário de Brasília) desta quinta-feira (26), a ação WEGE3 caía 2,88%, a R$ 48,83.
Apesar do rebaixamento, o JPMorgan continua a considerar a WEG uma empresa de alta qualidade, com diversas vias de crescimento, incluindo transformadores e BESS (Battery Energy Storage System, ou solução de armazenamento de energia elétrica em baterias), e exposição a tendências de eletrificação.
O banco também qualifica a WEG como uma ação mais defensiva, por sua presença internacional, e afirma, “Portanto, não é o melhor veículo para jogar os próximos eventos macroeconômicos no Brasil (ciclo de flexibilização e eleições)”, segundo o relatório.
O que observar adiante
A combinação entre múltiplos elevados e um crescimento que ainda não retornou aos patamares históricos sustenta a visão mais cautelosa do JPMorgan sobre o papel.
Para investidores, os pontos chave a acompanhar são a evolução do câmbio, as entregas operacionais nos próximos trimestres e o comportamento dos múltiplos em comparação com pares globais.