Os Estados Unidos anunciaram, nesta quarta-feira, uma nova rodada de sanções ao Irã no contexto de uma campanha de “pressão máxima” antes da retomada das negociações entre os dois países em Genebra.
As medidas atingem pessoas, entidades e embarcações que, segundo Washington, facilitam a “venda ilícita de petróleo iraniano” e a produção de armas, e chegam em meio a uma nova onda de protestos nas universidades iranianas.
Informações sobre as sanções e a situação interna foram divulgadas pelo InfoMoney, e são detalhadas a seguir, com citações e números oficiais relatados pelo veículo, conforme informação divulgada pelo InfoMoney.
O que dizem os EUA sobre as sanções ao Irã
As últimas sanções, segundo o anúncio americano, atingem mais de 30 indivíduos, entidades e embarcações que, de acordo com os EUA, “facilitam a venda ilícita de petróleo iraniano” e apoiam a produção de armamentos.
Em declaração reproduzida pela imprensa, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou, “O Irã explora o sistema financeiro para vender petróleo ilícito, lavar dinheiro, adquirir componentes para seus programas de armas nucleares e convencionais e apoiar seus grupos terroristas”.
O governo norte-americano disse que continuará aplicando “pressão máxima sobre o Irã para prejudicar as capacidades bélicas do regime e seu apoio ao terrorismo” e, no discurso do Estado da União, o presidente Donald Trump acusou o Irã de nutrir “ambições nucleares sinistras” e ordenou uma grande mobilização militar no Golfo Pérsico.
Reação iraniana e contexto das negociações
Do lado iraniano, o presidente Massoud Pezeshkian afirmou haver uma “perspectiva favorável” para as negociações com os EUA, toda vez que a retomada das conversas se aproxima em Genebra.
Ao mesmo tempo, o regime prometeu responder com força a qualquer ataque americano, incluindo ações contra bases dos EUA na região. A chancelaria iraniana, por meio do porta-voz Esmaeil Baqaei, criticou as declarações americanas dizendo, “O que eles [OS EUA]dizem sobre o programa nuclear iraniano, os mísseis balísticos do Irã e o número de vítimas durante os protestos de janeiro é simplesmente uma repetição de grandes mentiras”.
Repressão e novas ondas de protestos nas universidades
Enquanto as sanções e as negociações ganham destaque, o Irã enfrenta uma nova onda de manifestações contra o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que se espalharam por 13 universidades, incluindo em Teerã e Mashhad.
O governo mobilizou forças de segurança nas instituições, com policiais à paisana e integrantes da milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, ocupando campi que permanecem abertos. Em reação, 80% deles passaram a oferecer aulas a distância para evitar protestos.
Confrontos foram registrados em algumas universidades, com imagens mostrando brigas na Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã e caminhonetes com metralhadoras fotografadas fora da Universidade de Teerã. O ministro da Ciência, Hossein Simaei-Sarraf, avisou que o governo não tolerará “distúrbios” nas universidades, e o procurador-geral Mohammad Azad exigiu punições rápidas, dizendo que “Certos grupos, sob orientação do inimigo, tentam inflamar o ambiente interno”.
Impactos e riscos para a diplomacia e os mercados
Analistas apontam que as sanções ao Irã podem reduzir receitas de petróleo e complicar a reaproximação diplomática nas negociações em Genebra, ao mesmo tempo em que aumentam o risco de escalada militar no Golfo Pérsico, diante das ameaças públicas mencionadas por Washington.
Além disso, a situação interna do Irã, com protestos e repressão, aumenta a incerteza política e humanitária. Em janeiro, durante a onda anterior de manifestações, o governo cortou o acesso à internet e reprimiu os protestos com violência. Segundo ONGs de direitos humanos, 7 mil pessoas morreram, embora o governo reconheça apenas 3.117 mortos.
As próximas horas e dias devem mostrar se as negociações em Genebra evoluem, se as pressões econômicas dos EUA se intensificam, e como o governo iraniano responderá tanto externamente, em termos militares, quanto internamente, diante das universidades em protesto.