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Juros Altos por Mais Tempo: Como IA e Dívida Pública Transformam Investimentos Globais e o Brasil

Juros mais altos por mais tempo: um novo paradigma para o Brasil e o mundo

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O início do ano trouxe otimismo com a valorização do real e a expectativa de cortes de juros, tanto no Brasil quanto globalmente. Contudo, este cenário mudou drasticamente em poucos meses, exigindo uma reavaliação das estratégias de investimento.

Choques econômicos sucessivos, desde a pandemia de Covid-19 até conflitos geopolíticos recentes, não resultaram na desaceleração inflacionária esperada. Em vez disso, a economia americana, por exemplo, continua a surpreender com crescimento robusto, o que pressiona a inflação e afasta a perspectiva de cortes nas taxas de juros.

Diante deste novo cenário de juros elevados e inflação mais persistente, especialistas da Genoa Capital, como Andre Raduan e Jose Luiz Torres, analisam como navegar neste ambiente. A situação exige uma adaptação nas estratégias de investimento, tanto para o Brasil quanto para o cenário global, com destaque para o impacto da revolução da inteligência artificial (IA).

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O novo cenário global: crescimento robusto e inflação persistente

Andre Raduan, gestor macro da Genoa Capital, observa que a economia americana tem demonstrado um crescimento robusto, apesar dos diversos choques recentes. Essa resiliência, segundo ele, impede cortes nas taxas de juros, pois a inflação permanece mais pressionada. “Você saiu do mundo que era crescimento robusto com desinflação para um mundo de crescimento robusto, apesar de todos os choques, e uma inflação mais pressionada. Aí você não tem como falar de corte de juros mesmo, a taxa de equilíbrio tem que ser mais alta”, explica Raduan.

A perspectiva é de que o Federal Reserve, o banco central americano, possa até mesmo elevar as taxas de juros. A combinação de crescimento forte, inflação elevada e uma dívida pública considerável nos Estados Unidos, com os juros de títulos de 30 anos próximos a 5%, patamar não visto em 20 anos, configura um ambiente estruturalmente diferente da última década. “Mesmo com o choque, de novo a gente está vendo a economia americana surpreender”, afirma Raduan.

Raduan também aponta que a expansão fiscal em diversos países pode desvalorizar as moedas, tornando os ativos reais mais atrativos. A necessidade de rolar uma dívida pública crescente implica em custos mais altos, o que leva à conclusão de que “provavelmente, a gente vai ter que conviver com juros reais altos”.

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Impacto dos juros altos na hierarquia dos investimentos

Jose Luiz Torres, gestor de ações da Genoa Capital, ressalta que um ambiente de juros altos altera a preferência por determinados tipos de investimento. Empresas com menor alavancagem ou com crescimento expressivo, capaz de superar o custo elevado de financiamento, tendem a se destacar. “Empresas que crescem muito, ou que crescem sem tomar dívida, sofrem menos com esse custo de capital mais alto”, pontua Torres.

Nesse contexto, o setor de tecnologia nos Estados Unidos se mostra atraente, especialmente com a revolução da inteligência artificial. Empresas como a Nvidia têm apresentado resultados impressionantes, com projeções de crescimento de receita duplicação ano contra ano até 2026. “Os EUA ganharam a guerra tecnológica. As empresas americanas estão liderando a IA”, comenta Torres.

A revolução da IA também impulsiona a demanda por infraestrutura. Grandes empresas de tecnologia, como Meta, Microsoft, Google, Amazon e Oracle, estão investindo bilhões em ativos de longo prazo, incluindo terrenos, energia e infraestrutura de dados. Torres sugere que é possível se beneficiar dessa onda de IA investindo em empresas que fornecem a infraestrutura para os grandes players, em vez de tentar prever qual tecnologia de IA será a vencedora.

Desafios para o Brasil em um cenário de juros altos

Para o Brasil, um ambiente global de juros altos é particularmente desafiador. Torres observa que o país é naturalmente mais sensível a variações na taxa de juros, o que pode afetar mais severamente as empresas locais. “O Brasil, quase que por natureza, é mais sensível a juro, então as empresas acabam sofrendo mais”, explica.

Andre Raduan expressa pessimismo quanto ao cenário fiscal brasileiro, acreditando que pode ser necessário um agravamento da situação para que se concretize um ajuste fiscal. A inflação no Brasil, que já acelera para cerca de 5% a 5,5%, pode ainda não ter sentido todos os impactos de eventos como a guerra no Irã, além da possibilidade do fenômeno El Niño e medidas parafiscais do governo.

Diante deste quadro, a Genoa Capital tem reduzido sua alocação no mercado local. “Para que eu vou tomar risco na bolsa brasileira, quando nos EUA eu tenho juros e empresas ainda que crescem a 20% ao ano?”, questiona Torres. No entanto, essa baixa exposição ao Brasil é considerada momentânea, com a equipe “com o dedo no gatilho esperando essa virada”, pois as mudanças de cenário podem ocorrer rapidamente.

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