Dívida de Minas Gerais com a União gera embate acirrado entre candidatos no debate da Band
A complexa questão da dívida de Minas Gerais com a União se tornou o palco de um dos mais intensos confrontos do debate da Band, realizado neste domingo (16). O candidato Alexandre Kalil (PDT) direcionou fortes críticas ao Propag (Programa de Recuperação Fiscal), questionando o voto favorável do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao programa.
Kalil indagou diretamente a Cleitinho se ele havia aprovado o Propag “sem ler”, insinuando uma aprovação às cegas. A resposta do senador foi direta e contundente, comparando o programa a um “câncer” e um “mal necessário” que exige “quimioterapia”, indicando a gravidade da situação fiscal do estado.
Segundo Alexandre Kalil, o Propag representa uma “agressão a Minas Gerais”, com obrigações que podem comprometer as finanças mineiras em R$ 165 bilhões nos próximos cinco anos. Ele argumentou que a situação fiscal, agravada pelo acordo, tornou o estado “ingovernável” e que a questão da dívida precisa ser resolvida com urgência.
Cleitinho defende negociação e critica gestão anterior
Cleitinho Azevedo, por sua vez, defendeu a necessidade de uma nova negociação com Brasília. Ele ressaltou que o próximo governador precisa ter um “diálogo com o próximo presidente para discutir a dívida”. O senador também propôs medidas como a revisão de isenções fiscais, o combate à sonegação e a busca por aumento de receita.
“Qualquer candidato que disser que terminará com a dívida está mentindo, mas temos que trabalhar para diminuir”, afirmou Cleitinho. Ele aproveitou para criticar o atual governador Romeu Zema (Novo), acusando-o de priorizar “campanha presidencial, atacando o presidente atual, e não foi sentar para renegociar a dívida”.
Outros candidatos apresentam propostas para a dívida
Flávio Roscoe (PL) também defendeu a ida a Brasília para pressionar por uma nova negociação, propondo reunir a bancada mineira. “O primeiro passo é ir a Brasília, levando a bancada de parlamentares e pressionar pelos interesses de Minas”, declarou. Roscoe ainda sugeriu “um pacotão destravando as amarras aos empresários para aumentar o bolo”.
Mateus Simões (PSD) apresentou uma visão diferente, defendendo o acordo conduzido pela atual gestão. Ele afirmou que a dívida “era impagável, mas hoje está dentro do que o caixa do estado aguenta, ainda que com muito sofrimento”. Simões também cobrou do governo federal “mais investimentos em Minas”.
Gabriel Azevedo (MDB) focou no cumprimento do Propag e em maior fiscalização das despesas estaduais, com o objetivo de “equilibrar as contas, sem fazer com que os serviços essenciais deixem de operar”. Ele propôs rever benefícios a empresas e criar uma agência para acompanhar a qualidade do gasto público.
Dívida histórica de Minas Gerais
A dívida de Minas Gerais com a União é um problema que se arrasta há décadas e representa uma parcela significativa do endividamento dos estados brasileiros. Minas Gerais, juntamente com São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, compõe o grupo dos quatro estados que respondem por aproximadamente 90% do estoque dessas dívidas com o governo federal.

