A investigação aponta que a lobista Roberta Luchsinger utilizou sua influência junto ao Tesouro Nacional para destravar um empréstimo de R$ 710 milhões para a prefeitura de Goiânia, recebendo valores suspeitos durante o processo.
Um esquema de influência e pagamentos sob suspeita veio à tona após a revelação de mensagens de celular atribuídas à lobista Roberta Luchsinger. O caso envolve a negociação de um vultoso empréstimo de R$ 710 milhões solicitado pela prefeitura de Goiânia ao governo federal.
As conversas sugerem que a atuação de Luchsinger foi muito além de contatos institucionais básicos. Ela mantinha um fluxo constante de comunicação com integrantes do alto escalão do Tesouro Nacional, buscando agilizar a liberação de verbas públicas para o município.
Conforme informações divulgadas pelo portal Diário 360, os registros indicam que a lobista não apenas cobrava celeridade no processo, mas também antecipava decisões oficiais e intermediava reuniões políticas, levantando sérias suspeitas sobre a natureza dos seus serviços.
Influência direta no Tesouro Nacional
O foco das investigações recai sobre a proximidade entre a lobista e Rogério Ceron, que ocupava o cargo de secretário do Tesouro Nacional na época das tratativas. As mensagens revelam que ela tinha acesso privilegiado, chegando a apagar diálogos comprometedores.
A lobista chegou a antecipar a publicação do aval concedido pelo Ministério da Fazenda para a operação de crédito. Essa intimidade com os trâmites internos do governo federal é um dos pontos que mais chamam a atenção das autoridades que analisam o caso.
Pagamentos suspeitos e ligações políticas
Paralelamente às negociações com o Tesouro, a lobista cobrava pagamentos de Quesede Ayres, que atuava como secretário-executivo da Saúde de Goiânia. Entre 21 de agosto e 4 de setembro de 2024, os repasses teriam atingido a marca de R$ 570 mil.
Os valores foram direcionados para contas de empresas e terceiros indicados pela própria lobista. Parte desse montante teria origem na Construservice, empresa ligada a Eduardo Barros, conhecido como DP, que já possuía contratos milionários com a prefeitura goiana.
Pressão por pagamentos e promessas
Em um dos trechos das conversas, após confirmar que o aval seria publicado, Luchsinger afirmou que seria necessário desenrolar a situação com o então prefeito Rogério Cruz. O termo reflete a pressão exercida nos bastidores da administração municipal.
As cobranças não pararam por aí, pois as mensagens fazem referências explícitas a pagamentos em dinheiro vivo e até mesmo à entrega de uma quantia identificada apenas como 1M. O caso segue sob análise rigorosa devido à gravidade das alegações.

