Pedido ao STF busca acesso aos autos do inquérito do INSS após matérias com trechos sigilosos, e Lulinha se coloca à disposição para prestar esclarecimentos sobre as citações
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal para ter acesso aos autos do inquérito que apura irregularidades em descontos do INSS.
Embora Lulinha não tenha sido alvo de fases da Operação Sem Desconto, seu nome apareceu em citações de testemunhas, e a defesa quer ler o conteúdo sigiloso antes de prestar qualquer esclarecimento.
O pedido foi apresentado ao STF depois da publicação de reportagens com trechos isolados do inquérito, e a medida busca, segundo a defesa, preservar a integridade da defesa e evitar danos à imagem de Fábio Luís, conforme informação divulgada pelo GLOBO.
Pedido formal e declaração da defesa
No documento encaminhado ao Supremo, a defesa afirma, em trecho do pedido, “Apesar de Fábio Luís não ter sido alvo da operação ‘Sem Desconto’, nem objeto de medidas ou restrições judiciais, entendemos ser necessário pedir ao STF acesso aos autos após a publicação de seguidas matérias de teor acusatório e difamante, contendo trechos isolados do inquérito sigiloso”, diz o texto.
A nota do advogado Guilherme Suguimori acrescenta ainda, na íntegra, “Ao fazer o pedido, Fábio também se colocou à disposição do tribunal para prestar qualquer esclarecimento eventualmente necessário, o que poderá fazer após a concessão de acesso”, acrescentou.
Os advogados reforçaram que Lulinha, segundo a defesa, não tem nenhuma relação com as “fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa”, e pedem que o acesso aos autos permita exercer plenamente o direito de defesa.
O que a Polícia Federal informou sobre as citações a Lulinha
Em representação ao Supremo, a Polícia Federal indicou que há citações a Fábio Luís no inquérito, e registrou a hipótese de que ele, “em tese, poderia atuar como sócio oculto” do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como o careca do INSS.
Ao mesmo tempo, a PF ressaltou que “não há indícios” de que Lulinha “esteja diretamente envolvido nas condutas relativas aos descontos associativos fraudulentos”, segundo documentos encaminhados ao STF.
O relator do caso no Supremo é o ministro André Mendonça, que irá analisar o pedido de acesso aos autos e decidir sobre eventuais providências processuais.
Possível delação e outros elementos da investigação
Alguns alvos da Operação Sem Desconto estão negociando acordos de colaboração premiada com a Polícia Federal, sem homologação pelo Supremo até o momento, caso, por exemplo, do ex-procurador do INSS Virgílio Oliveira Filho, preso desde novembro de 2025 e suspeito de envolvimento no suposto esquema de descontos indevidos.
Informações sobre colaborações foram reveladas pelo portal Metrópoles e confirmadas pelo GLOBO, e a investigação investiga tanto as fraudes no INSS quanto a possível ampliação da rede de negócios do careca do INSS para outros órgãos, incluindo o Ministério da Saúde.
Áudio, Ministério da Saúde e a versão da defesa
O GLOBO também divulgou um áudio em que uma empresária próxima a Lulinha trata com o careca do INSS sobre dispensa de licitação para fornecimento de medicamentos à base de cannabis ao Ministério da Saúde, contrato que não avançou.
A investigação tenta apurar se, além da atuação no INSS, o lobista buscava ampliar negócios em outras áreas, e a defesa de Fábio Luís insiste na ausência de vínculo com irregularidades ou recebimento de valores.
O tema segue sob sigilo no STF, e a decisão sobre o pedido de acesso aos autos e eventual comparecimento de Lulinha para prestar esclarecimentos ficará a cargo do relator, conforme as informações publicadas pelo GLOBO.