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Médica afastada por orientar equipe a não dar alta a pacientes petistas em Goiânia, hospital confirma mensagens internas e MPF recebeu denúncia contra Marcella Segato

    Uma médica do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, foi afastada da escala após orientar colegas a não conceder altas a pacientes que, segundo ela, seriam eleitores do PT.

    A unidade informou que a profissional não retornará às atividades e que vai apurar internamente a conduta, e que manifestações pessoais não se confundem com práticas assistenciais.

    As informações sobre o caso foram divulgadas pelo Metrópoles, e constam mensagens trocadas em grupo interno de WhatsApp entre médicos da unidade, conforme informação divulgada pelo Metrópoles.

    O que foi dito no grupo e a mensagem que motivou o afastamento

    A reportagem teve acesso à orientação enviada pela médica no grupo de profissionais da unidade. Em mensagens na tarde de sexta-feira, dia 2 de outubro, a profissional escreveu, segundo registros, “Boa sexta a todos. Quem estiver na enfermaria no domingo, não é para dar alta para ninguém, a maioria é petista”, e também circulou a versão curta “Não deem alta a ninguém, a maioria é petista”.

    Reações com emojis e símbolos políticos apareceram no grupo, e outro conteúdo anterior atribuível à médica fez referência ao número 22, ligado à candidatura de Flávio Bolsonaro, e prometia vantagem no rodízio de medicina para estudantes que votassem no candidato.

    Afastamento, apuração interna e posicionamento do hospital

    O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara confirmou que “A profissional foi afastada da escala e não retornará [às atividades]”.

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    Sobre as mensagens, a unidade declarou que “As manifestações mencionadas ocorreram em grupo interno e privado de profissionais médicos e constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes”, e que “O hospital ressalta, ainda, que manifestações ou preferências políticas de caráter pessoal não se confundem com as condutas médicas e assistenciais adotadas na unidade”.

    Denúncia, Conselho Regional e defesa da médica

    O caso foi levado ao Ministério Público Federal por meio de uma denúncia apresentada pelo advogado Alan Henrique Silva Marques, segundo a reportagem que apurou as conversas. O conteúdo teria sido repassado ao advogado por um interno de medicina que preferiu não se identificar.

    O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás, Cremego, informou que as denúncias relacionadas à médica “são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico”.

    Em nota à imprensa, a médica Marcella Segato de Sousa Melo pediu desculpas, e afirmou, nas palavras publicadas, “Lamento profundamente que minhas mensagens tenham destoado do compromisso que sempre orientou minha atuação profissional”.

    Ela também declarou que “Essas mensagens, porém, não se transformaram em conduta nem resultaram em procedimentos inadequados. Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada. Todas foram avaliadas e liberadas exclusivamente por critérios clínicos, como sempre ocorreu”.

    Repercussão e próximas etapas

    O episódio gerou investigação administrativa no hospital e acompanhamento por órgãos de fiscalização profissional. A situação levanta questionamentos sobre conduta ética, atendimento e o uso de canais internos para manifestações políticas.

    A unidade informou que continuará a apurar os fatos e que as decisões sobre eventuais sanções seguirão os procedimentos internos e as normas dos conselhos profissionais. O caso segue sob investigação e pode motivar desdobramentos judiciais e éticos.