O Minha Casa Minha Vida (MCMV) é a força que sustenta o mercado imobiliário no Brasil

Mesmo diante de uma taxa Selic elevada, em 14,5%, o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) demonstra sua força, sendo responsável por quase metade das vendas residenciais em todo o país. Uma pesquisa recente divulgada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que o programa não é mais apenas uma política social, mas sim um pilar estrutural para a construção civil, atraindo também a classe média.

Os números revelam um cenário promissor: no primeiro trimestre de 2026, o MCMV sozinho respondeu por 49% de todos os imóveis vendidos, o que equivale a expressivas 54.510 unidades comercializadas. Essa consolidação como motor do setor, segundo Ely Wertheim, vice-presidente da área da Indústria Imobiliária da CBIC, mostra que o programa evoluiu e hoje atende a um público mais amplo.

A pesquisa, baseada em dados de 221 cidades brasileiras, reforça a importância do Minha Casa Minha Vida em um contexto econômico desafiador. Acompanhe os detalhes e entenda como o programa continua a moldar o futuro do mercado imobiliário nacional, conforme informação divulgada pela CBIC.

Vendas Residenciais em Alta, Impulsionadas pelo MCMV

Apesar do cenário de crédito mais restrito, as vendas de imóveis mantiveram um ritmo forte. No primeiro trimestre de 2026, foram negociadas 110.722 unidades, um aumento de 4,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Houve uma leve queda de 2,6% em relação ao trimestre anterior, movimento que o setor considera sazonal e não preocupante. Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP e conselheiro da CBIC, classificou o recuo como “praticamente estabilidade” no contexto atual.

Lançamentos Diminuem, Estoque Permanece Saudável

Em contrapartida, os lançamentos de novas unidades imobiliárias apresentaram uma desaceleração. Entre janeiro e março de 2026, foram lançadas 97.802 unidades, uma queda de 4,9% em relação ao ano anterior e uma retração mais acentuada de 32,1% comparada ao último trimestre de 2025. Contudo, o setor encara essa redução com naturalidade. A oferta final disponível atingiu 350.891 unidades, um aumento de 8,2% em 12 meses, mas com uma leve queda de 3,5% em relação ao trimestre anterior. A CBIC estima que o estoque atual seria consumido em cerca de 10 meses, um nível considerado confortável, pois “até 20 ou 24 meses é absolutamente normal para o setor, portanto, não há excesso de estoque”, segundo Wertheim.

Dependência Crescente do Minha Casa Minha Vida

O peso do programa habitacional é inegável. Além de representar 49% das vendas, o Minha Casa Minha Vida também respondeu por cerca de 50% dos lançamentos no trimestre. A CBIC aponta que, fora dos grandes centros monitorados, essa dependência pode ser ainda maior, com o programa representando entre 65% e 70% do mercado imobiliário residencial nacional em algumas regiões. Essa variação é explicada por fatores como diferenças urbanísticas e regras municipais.

Brasileiros Continuam Querendo Comprar Imóveis

Mesmo com juros altos, a demanda por imóveis permanece aquecida. Uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica indica que 49% dos brasileiros pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses, superando os 44% registrados no primeiro trimestre de 2025. A busca por segurança, a possibilidade de valorização do patrimônio e a aquisição de um bem durável são os principais motivadores. A casa de rua continua sendo a preferência (47%), seguida por apartamentos (35%). O setor atribui essa força à combinação de emprego aquecido, aumento da renda média e a expectativa de queda futura dos juros.

Riscos e Preocupações para o Setor Imobiliário

Apesar do desempenho positivo, executivos da construção civil alertam para riscos que podem impactar custos e desacelerar o mercado. Entre as principais preocupações estão o efeito da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos materiais de construção, as incertezas em relação à regulamentação da Reforma Tributária e a possibilidade do fim da escala 6×1, que reduziria a jornada de trabalho para 40 horas. Mudanças trabalhistas sem compensação de produtividade poderiam elevar os custos da construção em até 10%, afetando especialmente a habitação popular. O FGTS, principal fonte de recursos para a aquisição de imóveis, também é um ponto de atenção, com o setor alertando que “os ataques ao FGTS são bastante nocivos e isso preocupa o setor de forma geral”, segundo Petrucci.

By Vanessa