Morre Octavio Gallotti, ex-presidente do STF, aos 95 anos, marcando o fim de uma era para o Judiciário brasileiro.
O país se despede de Octavio Gallotti, ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que faleceu neste domingo, 26, aos 95 anos. Gallotti integrou a mais alta corte do país por 16 anos, de 1984 a 2000, e teve a honra de presidir o STF no biênio 1993-1995, um período crucial para a consolidação democrática brasileira.
O velório de Octavio Gallotti ocorrerá no Salão Branco do STF, nesta segunda-feira, 27, das 10h às 17h, permitindo que colegas, amigos e admiradores prestem suas últimas homenagens. O sepultamento está previsto para o dia 28, no Rio de Janeiro, onde ele deixa um legado inestimável.
Em nota oficial, o STF lamentou profundamente a perda, exaltando o **rigor técnico, a independência de seus julgamentos e a inabalável dedicação ao serviço público** que marcaram a trajetória de Octavio Gallotti. O atual presidente da Corte, ministro Edson Fachin, ressaltou a importância do ex-ministro para a história institucional do Brasil.
Um Legado de Excelência Jurídica e Compromisso com a Constituição
O ministro Edson Fachin destacou que a trajetória de Gallotti se confunde com um **período significativo da história institucional brasileira**. Ele descreveu o ex-ministro como um magistrado de **notável cultura jurídica, espírito público exemplar e inabalável compromisso com a Constituição**. Segundo Fachin, o Ministro Gallotti deixou **marcas permanentes na construção da jurisprudência e no fortalecimento das instituições democráticas do país**, evidenciando sua profunda influência.
Trajetória Marcada pelo Serviço Público e pela Família
Casado desde 1962 com Iára Chateaubriand Pereira Diniz Gallotti, Octavio Gallotti deixa os filhos Luiz Gallotti Neto e Maria Isabel Diniz Gallotti Rodrigues, que segue os passos do pai na magistratura, atuando como ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Essa herança de dedicação ao direito e à justiça é um testemunho do impacto de sua família na esfera jurídica brasileira.
Octavio Gallotti foi indicado para o STF pelo presidente João Figueiredo, ocupando a vaga deixada pela aposentadoria de Pedro Soares Muñoz. Sua nomeação o tornou o **último ministro indicado ao STF durante o período da ditadura militar**, o que sublinha a importância de sua atuação em um momento de transição política e institucional no Brasil.
Da Academia à Presidência do Brasil em Carreira Exemplar
Nascido no Rio de Janeiro, Luiz Octavio Pires e Albuquerque Gallotti formou-se em Direito pela Universidade do Brasil, atual UFRJ. Sua carreira no serviço público foi vasta e distinta, tendo tomado posse como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) em 1973. Além de presidir o STF, Gallotti também esteve à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Sua relevância no cenário nacional foi tal que Octavio Gallotti chegou a **assumir a presidência do país em viagens internacionais do então presidente Itamar Franco**, demonstrando a confiança e o respeito que sua figura inspirava nas mais altas esferas do poder. Essa experiência reforça a amplitude de sua atuação e sua capacidade de liderança.
Uma Família de Juristas: A Herança de Octavio Gallotti
Octavio Gallotti provinha de uma família de juristas de renome. Seu pai, Luiz Gallotti, foi uma figura proeminente, tendo sido deputado Estadual em Santa Catarina, Procurador-Geral da República, presidente do STF e do TSE. O avô materno, Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, também teve uma carreira brilhante, atuando como deputado na primeira constituinte na Bahia, juiz federal, ministro do STF e Procurador-Geral da República.
Essa tradição familiar no campo jurídico certamente moldou a visão e o compromisso de Octavio Gallotti com a **justiça, a ética e o Estado Democrático de Direito**, valores que ele defendeu com maestria ao longo de sua extensa e respeitada carreira no Judiciário brasileiro.

