MRV&CO (MRVE3) apresenta resultado trimestral com redução de prejuízo, impulsionado por vendas e controle de custos
A MRV&CO, conglomerado de empresas imobiliárias que inclui MRV, Urba, Luggo e Resia, divulgou seu balanço referente ao segundo trimestre de 2026. Apesar de um prejuízo líquido consolidado de R$ 626,3 milhões, o resultado representa uma melhora significativa de 22,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior, indicando um movimento de recuperação e otimização nas operações do grupo.
O principal fator que impactou o resultado financeiro foi a baixa contábil (impairment) de US$ 110 milhões referente à Resia, subsidiária da empresa nos Estados Unidos. Essa baixa ocorre em virtude da venda de empreendimentos e terrenos por valores inferiores ao patrimonial, reflexo de um cenário de mercado mais desafiador no país norte-americano. Esta é a segunda baixa contábil reportada pela MRV&CO nos EUA, após um registro de US$ 144 milhões no ano anterior, marcando o início do processo de desinvestimento de ativos na região.
Ricardo Paixão, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da MRV&CO, explicou a estratégia por trás da venda de ativos: “Vendemos em condições de mercado piores do que o imaginado”. Ele ressaltou a necessidade de ser “bastante pragmático” e optar pela venda abaixo do valor patrimonial para acelerar o processo de desalavancagem. Outro ponto que contribuiu para o resultado foi o aumento nas despesas financeiras, que englobam custos de dívida, cessão de recebíveis e contratos derivativos.
Receita Líquida Cresce e Margens Apresentam Sinais Positivos
A receita líquida consolidada da MRV&CO atingiu R$ 2,99 bilhões no segundo trimestre, um aumento de 10,7% em relação ao mesmo período de 2025. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelo desempenho da MRV, com aumento nas vendas de imóveis, melhora nas margens e evolução das obras em andamento. A companhia tem focado em subir os preços dos imóveis, acompanhando ou superando a inflação, como estratégia para otimizar seus lucros.
As despesas operacionais consolidadas registraram uma queda de 18,9%, totalizando R$ 1,1 bilhão. Dentro desse montante, as despesas comerciais tiveram um leve aumento de 10,4%, acompanhando o maior volume de lançamentos e vendas, enquanto as despesas gerais e administrativas cresceram 1,2%. O resultado financeiro, por sua vez, apresentou uma despesa líquida de R$ 393,2 milhões, um acréscimo de 60% na comparação anual.
Desempenho das Unidades de Negócios e Perspectivas Futuras
A principal divisão, a MRV, apresentou um lucro líquido ajustado de R$ 155 milhões no trimestre, um avanço de 28,2% em relação ao ano anterior. A margem bruta da MRV atingiu 31,2%, com uma expansão de 1,0 ponto percentual, beneficiada pelo aumento da receita e diluição de custos. A expectativa é que a margem bruta alcance 35% no futuro, com a convergência da margem bruta e da margem esperada com o resultado dos exercícios futuros (REF), que já bateu em 44%.
Por outro lado, a Resia registrou um prejuízo de US$ 117,4 milhões, uma redução de 16,8% em relação ao ano anterior, impactada pelo impairment. Restam aproximadamente US$ 360 milhões em ativos a serem vendidos pela Resia. As outras empresas do grupo apresentaram resultados mistos: a Luggo teve um prejuízo de R$ 9,9 milhões, enquanto a Urba registrou um lucro de R$ 800 mil.
Endividamento e Desalavancagem em Foco
A dívida líquida consolidada da MRV&CO encerrou o segundo trimestre em R$ 5,9 bilhões. Com a venda dos ativos da Resia, a expectativa é que este valor caia para R$ 4,6 bilhões. A empresa segue com um plano ativo de venda de ativos para reduzir o impacto no balanço e avançar com a descontinuação da operação Resia, conforme afirmou o diretor financeiro Ricardo Paixão. A geração de caixa ajustada e consolidada foi de R$ 70 milhões no período.

