MXRF11 reforça carteira com CRIs indexados a IPCA+9% e IPCA+10%, permutas financeiras e reservas de correção para suavizar pagamentos, preservar dividendos e manter alta rentabilidade
O fundo MXRF11, conhecido como Maxi Renda, tem buscado estabilidade nas distribuições, com foco em proteger os dividendos dos cotistas.
Para isso, a gestora tem reforçado alocações em CRIs atrelados ao IPCA e utilizado permutas financeiras e operações estruturadas para reduzir volatilidade dos rendimentos.
No trimestre, o fundo manteve liquidez elevada e acumulou reservas para correção monetária, medidas que ajudam a sustentar os pagamentos mensais aos investidores, conforme informação divulgada pela XP Asset, em apresentação aos investidores.
Pagamentos e reservas, o pilar da defesa de dividendos
No 4T25, o MXRF11 distribuiu R$ 0,30 por cota, o equivalente a R$ 0,10 ao mês, entregando um dividend yield anualizado de 15,45%, já considerando o gross-up do Imposto de Renda, segundo a XP Asset.
O fundo encerrou o período com R$ 12 milhões em reserva de correção monetária, equivalente a quase R$ 0,03 por cota, e a gestão afirmou que a distribuição integral dessa reserva depende de amortizações ou vendas de CRIs, já que o fundo adota regime de caixa.
Na visão da gestão, a preservação do fluxo de pagamentos passa por manter uma margem de liquidez e reservas que possam ser acionadas em momentos de necessidade.
Alocação concentrada em crédito imobiliário e perfil high grade
A carteira do MXRF11 segue majoritariamente em crédito imobiliário, com 79% do patrimônio em CRIs, 8% em permutas financeiras e 12% em outros FIIs, enquanto a exposição a caixa é residual, próxima de 1%, conforme a apresentação da gestora.
O portfólio de CRIs é composto por cerca de 90 operações, das quais aproximadamente 88% estão indexadas ao IPCA e 9% ao CDI, com remuneração média em torno de IPCA+9,9% e CDI+2,96%.
Segundo a gestão, mais de 95% das operações são classificadas internamente como high grade, o que, combinado com a predominância de indexação ao IPCA, ajuda a proteger o fundo contra oscilações de mercado e cortes de taxa.
Sobre a filosofia de retorno, o gestor enfatizou, “Raramente a gente enxerça picos para cima ou para baixo nas distribuições. A nossa linha é suavizar os retornos”, afirmou André Masseti, gestor do fundo na XP Asset.
Operações estratégicas, vendas e liquidez
No trimestre, o Maxi Renda investiu mais de R$ 70 milhões em CRIs, com destaque para operações indexadas a IPCA+9% a IPCA+10%, classificadas pela gestora como níveis de taxa que agregam valor ao fundo.
Além de aportes, o fundo realizou vendas de R$ 63 milhões em posições de FIIs, incluindo MCL11, HGRU11 e UTM11, e monetizou o Edifício Oceania, em Santos, gerando lucro de R$ 2,6 milhões, segundo a XP Asset.
No book de permutas houve aportes relevantes em projetos residenciais, com R$ 32 milhões direcionados a um novo desenvolvimento no Campo Belo, em São Paulo, e estruturação de uma retrovenda com retorno de CDI+5%, voltada à aquisição de estoques prontos com retorno preferencial.
A liquidez se destacou, com média diária próxima de R$ 13 milhões no trimestre, consolidando o fundo entre os mais negociados da Bolsa, o que facilita a gestão de posições e a execução de estratégias de proteção a pagamentos.
Riscos, retornos e posições estratégicas
A gestão também mantém alocações em FIIs e posições estruturadas que, na avaliação do time, se aproximam de operações de crédito em termos de risco-retorno, como a posição em LPLP11, ligada à Direcional Engenharia.
Segundo André Masseti, é uma arbitragem interessante, “No final do dia, estamos correndo risco de crédito de uma empresa AAA listada, com remuneração entre CDI+3% e CDI+5%, enquanto a companhia capta próximo de CDI+0%. É um ótimo risco-retorno para o Maxi Renda”, conforme a apresentação da XP Asset.
Em conjunto, as decisões de alocação em CRIs indexados ao IPCA, a manutenção de reservas, e o uso de permutas e operações estruturadas explicam como o MXRF11 busca proteger dividendos e manter a consistência das distribuições.