Mercado Imobiliário em Maio: Nordeste e Imóveis Compactos Ditando Tendências de Valorização
O mercado imobiliário brasileiro apresentou um cenário de valorização consistente em maio, com destaque absoluto para a região Nordeste e para os imóveis compactos. Conforme levantamento do Índice FipeZAP, diversas capitais nordestinas registraram as maiores altas de preços no mês, sinalizando uma mudança no protagonismo do setor no país.
Paralelamente, apartamentos menores, com um dormitório, foram os que mais se valorizaram, superando unidades maiores. Essa tendência, segundo especialistas, reflete uma demanda aquecida por opções mais acessíveis e eficientes, especialmente em um contexto de juros ainda elevados.
Apesar da valorização nominal, o estudo aponta que os imóveis seguem perdendo valor em termos reais quando comparados aos principais índices de inflação, como o IPCA e o IGP-M. Os dados reforçam a necessidade de um olhar atento às particularidades regionais e aos tipos de imóveis que mais atraem compradores e investidores.
Capitais Nordestinas Lideram Valorização Mensal
Em maio, o Nordeste dominou o ranking de valorização imobiliária. Aracaju liderou com um avanço de 1,88% no preço dos imóveis, seguida de perto por João Pessoa (1,46%), Teresina (1,43%), Salvador (1,15%) e Natal (1,01%). Essa performance consolida a região como um polo de atração para o mercado imobiliário nacional.
O crescimento nessas cidades é impulsionado por fatores como a expansão urbana, o aumento populacional, o forte apelo turístico e, crucialmente, preços ainda mais competitivos em comparação com grandes metrópoles do Sudeste. A análise do Índice FipeZAP reforça essa tendência observada nos últimos meses.
Em contrapartida, apenas três capitais registraram queda nos preços em maio: Porto Alegre (-0,53%), Belém (-0,40%) e Brasília (-0,05%). A média geral de valorização de imóveis residenciais no país foi de 0,42% em maio, um leve recuo em relação a abril (0,51%), mas o mercado demonstra resiliência, com 51 das 56 cidades monitoradas apresentando alta.
Apartamentos Compactos: A Escolha do Momento
Outro movimento marcante em maio foi a superior valorização dos imóveis compactos. Apartamentos de um dormitório registraram a maior alta mensal, com 0,55%, enquanto unidades de três dormitórios tiveram o menor avanço, de 0,28%. Essa diferença se estende ao acumulado de 12 meses, onde imóveis de um quarto valorizaram 7,35%, contra 4,52% dos de três quartos.
Esse desempenho sugere uma demanda crescente por imóveis compactos, tanto por parte de investidores quanto de consumidores que buscam opções mais acessíveis em um cenário de juros elevados. A praticidade e o custo-benefício desses imóveis parecem ser os grandes atrativos.
Desempenho Anual e o Custo do Metro Quadrado
Olhando para o acumulado de 12 meses, o protagonismo das capitais nordestinas se torna ainda mais evidente. Fortaleza lidera com uma valorização de 12,99%, seguida por Salvador (12,52%) e Vitória (11,40%). Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro acumularam valorizações de 4,23% e 4%, respectivamente, no mesmo período.
Vitória se mantém como a capital com o metro quadrado residencial mais caro do país, atingindo R$ 14.965 em maio. Florianópolis, São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte também figuram entre as cidades com os metros quadrados mais caros. O preço médio nacional de venda em maio foi de R$ 9.809 por metro quadrado.
Perda Real Frente à Inflação e Mercado Seletivo
Apesar da valorização nominal, o mercado imobiliário tem apresentado perda de fôlego em relação aos índices de inflação. No acumulado de janeiro a maio de 2026, o Índice FipeZAP registrou alta de 1,96%, abaixo do IPCA (3,24%) e do IGP-M (3,79%). Isso significa que, em termos reais, os imóveis vêm perdendo valor ao longo do ano.
O Índice FipeZAP destaca que os dados mostram um mercado ainda resiliente, mas cada vez mais seletivo. Há um destaque crescente para cidades fora do eixo Rio-São Paulo e para imóveis compactos, que continuam concentrando a maior demanda, configurando uma nova dinâmica no setor imobiliário brasileiro.