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Nova Era nos EUA: Pela Primeira Vez, a Maioria das Famílias Tem Pai e Mãe Trabalhando em Tempo Integral em Meio à Crise de Custo de Vida

Famílias Americanas: O Fim da Era do “Pão Duro” Único e o Início da Dupla Jornada em Massa

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Há 50 anos, a imagem do pai provedor sustentando a casa com seu único salário era a norma para quatro em cada dez famílias americanas. Hoje, essa realidade ficou para trás. Uma análise recente do Pew Research, baseada em dados de 2025 do Departamento do Censo dos EUA, revela um marco histórico: pela primeira vez, a maioria dos lares heterossexuais conta com ambos os pais trabalhando em tempo integral.

Atualmente, 52% dos casais heterossexuais com filhos menores de 18 anos têm ambos os parceiros empregados em regime de tempo integral. Essa mudança reflete não apenas transformações sociais, mas também a pressão econômica que força mais americanos a buscarem múltiplas fontes de renda para manterem o padrão de vida.

O estudo também aponta que cerca de 25% das famílias são compostas por um pai que trabalha em tempo integral e uma mãe desempregada, enquanto outros 14% de pais trabalhadores não são casados ou não vivem com um parceiro. Esses dados, divulgados pelo Pew Research, pintam um quadro complexo da dinâmica familiar e econômica nos Estados Unidos.

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Disparidades Raciais e Educacionais na Força de Trabalho Feminina

A participação feminina no mercado de trabalho em tempo integral não é uniforme entre os grupos raciais. Entre as mães negras que vivem com um parceiro, 60% trabalham em tempo integral, um índice ligeiramente inferior aos 64% registrados em 2000. Em contrapartida, a presença de mães asiáticas e brancas no mercado de trabalho em tempo integral aumentou significativamente.

Atualmente, 54% das mães asiáticas e 52% das mães brancas exercem funções em tempo integral, um crescimento considerável em comparação com os cerca de 45% de 25 anos atrás. As famílias hispânicas, no entanto, apresentam um cenário distinto, com o percentual de duplas rendas em tempo integral permanecendo estável em torno de 44% nos últimos 25 anos.

O nível de escolaridade também se mostra um fator determinante. Sete em cada dez mães com pós-graduação, que vivem com um parceiro, trabalham em tempo integral. Essa taxa é superior à de mães com diploma universitário (mais da metade) e àquelas com menor nível de escolaridade (43%).

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O Custo de Vida em Alta e a Busca pelo Equilíbrio

O aumento de lares que dependem de duas rendas em tempo integral ocorre em um contexto de crescente dificuldade para muitos americanos em simplesmente viverem. O custo de moradia, a manutenção de um emprego estável e até mesmo a alimentação dos filhos tornam-se desafios cada vez maiores, impulsionados pela inflação e altas taxas de juros.

A preocupação com o custo de vida disparou desde a pandemia. Atualmente, quase um terço dos americanos aponta o alto custo de vida como seu principal problema financeiro, um salto drástico em relação aos 3% registrados em 2020. Criar um filho, por exemplo, pode custar mais de US$ 300 mil até os 18 anos, segundo a LendingTree, um aumento considerável em relação aos US$ 165.630 de 25 anos atrás.

Uma família com dois filhos necessita de uma renda anual superior a US$ 400 mil para que os gastos com creches sejam considerados acessíveis pelas diretrizes federais. Metade dos americanos relata ter dinheiro apenas para manter seu padrão de vida, enquanto quase um quinto admite estar ficando para trás financeiramente.

A Dobra de Responsabilidades: Trabalho e Cuidado Familiar

Além da pressão financeira, os pais de hoje enfrentam a expectativa de dedicar mais tempo aos filhos, intensificando a busca por um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Mais da metade dos pais que trabalham em tempo integral relata dificuldades em conciliar suas responsabilidades profissionais com as familiares, conforme o Pew Research.

A economista Corinne Low, da Wharton School, destaca que as mães trabalhadoras de hoje dedicam mais tempo aos filhos do que as mães que ficavam em casa em gerações anteriores. Contudo, a responsabilidade pelos cuidados com os filhos e o lar continua recaindo de forma desproporcional sobre as mulheres.

Mesmo quando a esposa tem uma renda maior, ela ainda realiza quase o dobro das tarefas domésticas, como cozinhar e limpar, em comparação com o parceiro. Quase dois terços do trabalho de cuidado é executado por mulheres, e se esse trabalho não pago fosse remunerado, ele representaria um valor estimado de US$ 683 bilhões, segundo a National Partnership for Women & Families.

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