Brasil é alvo de nova tarifa de 12,5% nos EUA; entenda as razões e o impacto
O Brasil se encontra novamente sob o foco de medidas protecionistas dos Estados Unidos, desta vez com a imposição de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. Essa decisão se soma a outras barreiras tarifárias que têm sido aplicadas desde o ano passado, intensificando as tensões comerciais entre os dois países.
A justificativa oficial apresentada pelo governo americano para a nova taxação é a suposta falha do Brasil em combater práticas de trabalho forçado em seus setores produtivos. No entanto, a medida atinge também outras 59 economias globais, levantando questionamentos sobre suas reais motivações.
A nova tarifa se soma aos 25% que já haviam entrado em vigor anteriormente, após uma investigação específica sobre o Brasil. Analistas sugerem que as alegações de trabalho forçado podem servir como pretexto para a reconfiguração de tarifas já existentes, alinhadas com a política comercial de Donald Trump de reduzir déficits e reindustrializar a economia americana.
O Histórico das Tarifas e a Política Comercial de Trump
Desde que assumiu a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump tem buscado reaver déficits comerciais, reindustrializar o país e atrair investimentos. Essa política se manifestou em um cenário de constantes alterações nas tarifas de importação, afetando diversos parceiros comerciais do Brasil.
Inicialmente, em abril de 2025, uma taxa global de 10% foi imposta sobre produtos importados, incluindo os brasileiros. Posteriormente, em julho, uma tarifa adicional de 40% recaiu sobre produtos brasileiros, embora com uma lista de isenções. Essa medida foi objeto de uma investigação específica do Escritório do Representante Especial de Comércio (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras.
Após um encontro com o presidente Lula, a sobretaxa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros foi retirada, restando apenas os 10% globais. Contudo, em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou essas tarifas globais, levando à instituição de uma tarifa básica de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio, uma medida temporária que expirou.
Duas Investigações, Duas Alegações Distintas
As tarifas atuais sobre o Brasil são resultado de duas investigações distintas conduzidas pelo USTR. Os 25% em vigor desde o dia 22 foram originados de uma investigação iniciada em julho de 2025, que apurou supostas práticas desleais de comércio e o impacto de ações do governo brasileiro em empresas americanas.
É importante notar que uma lista extensa de mais de 2.100 itens brasileiros foi isenta dessa taxa de 25%, incluindo produtos como carne bovina, suco de laranja, componentes para aeronaves, açaí e água de coco. Isso demonstra uma seletividade nas medidas aplicadas.
Por outro lado, os 12,5% anunciados agora provêm de uma investigação sobre trabalho forçado, que abrange 60 países. No caso do Brasil, a investigação foca em cinco produtos específicos: alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco. A alegação é que a importação desses itens de nações com práticas trabalhistas questionáveis cria concorrência desleal para o mercado americano.
Tensão Política Marcando as Relações Comerciais
As negociações e imposições tarifárias entre Brasil e Estados Unidos têm sido marcadas por tensões políticas desde o início. Em julho de 2025, quando a primeira investigação foi aberta, Trump chegou a criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando o processo como uma “caça às bruxas”.
Um episódio notório foi a participação do senador Flávio Bolsonaro em uma audiência pública do USTR, onde solicitou que as tarifas fossem adiadas para após as eleições brasileiras de outubro, argumentando que a medida poderia beneficiar politicamente o presidente Lula. Essa intervenção evidencia a politização das discussões comerciais entre os dois países.

