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Novo Desenrola Brasil: Alívio Temporário ou Solução Real para Dívidas Familiares? XP Analisa Impacto e PIB

XP Research projeta impacto positivo, mas pontua limitações do novo Desenrola.

O governo federal lançou o novo programa Desenrola Brasil, com duração de 90 dias, visando a renegociação de dívidas. A iniciativa busca aliviar o endividamento das famílias e reduzir a inadimplência no país.

A XP Research avalia que o programa pode trazer benefícios pontuais, como um possível incremento no consumo e melhora nos resultados do PIB anual. Contudo, a consultoria ressalta que a medida é vista mais como um alívio do que uma solução estrutural para os desafios do mercado de crédito.

A análise, focada no crédito para pessoas físicas, considera os resultados da primeira fase do programa em 2024 e projeções futuras. Conforme informação divulgada pela XP Research, as estimativas preliminares apontam para uma redução significativa nos indicadores de endividamento e inadimplência das famílias brasileiras até o final deste ano.

Redução de endividamento e inadimplência: números e expectativas

De acordo com a avaliação dos economistas da XP, Rodolfo Margato, Tiago Sbardelotto e Luíza Pinese, o novo Desenrola Brasil pode levar a uma queda de até 2,3 pontos percentuais na razão de endividamento das famílias até o fim de 2024. Paralelamente, a taxa média de inadimplência poderia recuar em 0,8 ponto percentual.

Os modelos desenvolvidos pela XP também indicam um acréscimo de 0,20 a 0,25 ponto percentual no crescimento anual do consumo das famílias. Esse impulso no consumo se traduziria em um impacto adicional de cerca de 0,15 ponto percentual no crescimento total do Produto Interno Bruto (PIB).

Com base nessas projeções, a XP está atribuindo um viés de alta à sua previsão de crescimento do PIB para 2026, que atualmente está em 2,0%. Isso demonstra a expectativa de que o programa possa ter um efeito positivo, ainda que limitado, na economia.

Alívio, não solução: a visão da XP Research

Os economistas da XP destacam que, embora o novo programa Desenrola seja bem-vindo e possa proporcionar um alívio nos indicadores do mercado de crédito, ele não constitui uma mudança estrutural. Eles comparam a situação com a experiência do primeiro programa Desenrola Brasil, que parece corroborar essa avaliação.

A análise da XP focou no pilar Desenrola Famílias e levou em conta tanto os resultados da primeira fase quanto a possível reversão de alguns ganhos em momentos posteriores. A principal conclusão é que o programa oferece um respiro, mas as causas fundamentais do endividamento permanecem.

O que realmente traria melhora sustentada às finanças familiares

Para os economistas da XP, uma melhora sólida e sustentada na posição financeira das famílias brasileiras só seria alcançada com a redução consistente das taxas de juros, aliada à manutenção de um mercado de trabalho robusto. Este cenário, segundo eles, é o que realmente atacaria as raízes do problema do endividamento.

O cenário-base da XP projeta a taxa Selic em 11,50% ao final de 2027 e presume a aprovação de pequenas reformas fiscais pelo próximo governo. Essas medidas seriam cruciais para criar um ambiente econômico mais favorável e duradouro para os cidadãos.

Incertezas e projeções preliminares

É importante ressaltar que as estimativas apresentadas pela XP Research são preliminares e sujeitas a um elevado grau de incerteza. Diversos parâmetros-chave ainda precisam ser confirmados para que as projeções se tornem mais precisas.

Entre as principais fontes de incerteza, os especialistas listam as taxas de participação tanto de devedores quanto de instituições credoras no programa. Além disso, o estoque total de pequenas dívidas (até R$ 100) elegíveis para baixa pelos credores também representa um fator de dúvida significativo para as projeções futuras.