Rota dos Sertões é arrematada por consórcio Novonor e Mota-Engil, com promessa de R$ 8,5 bi em investimentos

O futuro da Rota dos Sertões, trecho crucial de rodovias entre Bahia e Pernambuco, já tem um novo administrador. O Consórcio 116 Sertões, formado pela Neo Invest (ligada à Novonor), a portuguesa Mota-Engil e a Galápagos Capital, foi o vencedor do leilão de concessão realizado nesta quinta-feira (28) na B3, em São Paulo. A oferta vencedora incluiu um desconto de 19,6% sobre a tarifa de pedágio, superando outros dois grupos interessados no setor rodoviário.

Este resultado marca um momento importante para a Mota-Engil, que faz sua estreia em concessões de rodovias brasileiras. A empresa portuguesa, que já demonstrou interesse em outros projetos rodoviários no Brasil, como o Lote 4 do Paraná, agora terá a responsabilidade de gerir e desenvolver um trecho de 502 quilômetros.

O projeto da Rota dos Sertões prevê investimentos robustos na ordem de R$ 8,5 bilhões ao longo de 30 anos, com R$ 4,13 bilhões destinados a aportes diretos (capex). A concessão abrange as rodovias BR-116/BA/PE e BR-324/B, conectando os municípios de Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE). Conforme informação divulgada pelo setor, o leilão foi realizado nesta quinta-feira, 28, na sede da B3, em São Paulo.

Novonor e Mota-Engil unem forças para modernizar a Rota dos Sertões

A Neo Invest, que integra a plataforma de concessões e investimentos em infraestrutura da Novonor, traz consigo um histórico no setor rodoviário, embora com menor presença após a Operação Lava Jato. Já a Mota-Engil, que conta com a China Communications Construction Company (CCCC) como acionista, amplia sua atuação no mercado brasileiro, onde já venceu o leilão do Túnel Santos-Guarujá. A empresa acumula cerca de 219 projetos em diversos setores e países, incluindo rodovias, metrôs, estádios e hospitais.

Investimentos previstos e melhorias na infraestrutura

O plano de desenvolvimento para a Rota dos Sertões é ambicioso. Entre as obras planejadas, destacam-se 108 quilômetros de duplicações, 5,2 quilômetros de faixas adicionais, além da construção de passarelas e pontos de parada e descanso para caminhoneiros. Um contorno viário na travessia urbana de Serrinha (BA) também faz parte do escopo do projeto, visando melhorar o fluxo e a segurança na região.

Disputa acirrada no leilão da B3

A vitória do Consórcio 116 Sertões ocorreu após uma disputa acirrada em viva-voz com o Atlas Rodovias, formado pela gestora Yvy Capital (de Paulo Guedes e Gustavo Montezano), Infra Brasil e Grupo Houer. A Yvy Capital, com seu fundo Atlas, busca consolidar-se no mercado de rodovias de médio porte. Outro participante foi o Consórcio Via dos Sertões, dos grupos de engenharia Aspen e DMDL, mas sua oferta inicial não foi suficiente para avançar na disputa.

Próximos passos no setor de concessões rodoviárias

A Rota dos Sertões representa o segundo leilão federal de rodovias realizado em 2026. O setor de concessões rodoviárias no Brasil continua aquecido, com o próximo grande evento previsto para 23 de julho: a repactuação da Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR). A expectativa é de que novos investimentos e melhorias na infraestrutura rodoviária do país continuem a ser anunciados.

By Vanessa