Michael Burry afirma que a Nvidia fez pedidos não canceláveis para ampliar produção de chips de IA, que somam US$ 117 bilhões, e alerta que uma desaceleração pode ser catastrófica
A Nvidia apresentou resultados acima das expectativas, mas a reação do mercado foi de queda no dia seguinte ao balanço, e um investidor conhecido voltou a soar o alarme sobre risco sistêmico.
Michael Burry, famoso por prever a crise de 2008, afirmou que a empresa travou capacidade na cadeia de suprimentos com compromissos antecipados, e que isso aumenta a exposição financeira caso a demanda por chips de inteligência artificial desacelere.
Essas observações foram feitas por Burry em publicação na Substack, e são complementadas pelos números do balanço e comentários de analistas sobre a Nvidia, conforme publicação na Substack de Michael Burry e balanço da Nvidia.
O alerta de Michael Burry
Burry afirmou, em tradução livre, “Para deixar claro, a NVDA foi forçada a fazer pedidos de compra não canceláveis muito antes de a demanda ser conhecida”. Ele disse ainda que a empresa tem levado mais tempo para converter estoques em vendas.
O investidor escreveu que a decisão representa “uma estratégia deliberada de travar capacidade na cadeia de suprimentos em um nível inédito” e advertiu que qualquer retração no ritmo de demanda pode ser “catastrófica” para lucros e balanço.
Burry também traçou paralelo histórico, lembrando que “Na década de 1920 houve uma mania do rádio concentrada principalmente em uma única ação, a RCA”, usando o exemplo para ilustrar como euforia em um ativo pode terminar em perdas severas.
Compromissos, números e exposição financeira
Segundo Burry, as obrigações totais de fornecimento da Nvidia somam US$ 117 bilhões, valor próximo ao fluxo de caixa operacional registrado no exercício encerrado em 25 de janeiro, o que, na visão dele, “não é o habitual, isso é risco”.
A empresa declarou crescimento de 65% na receita e no lucro líquido em 12 meses, para US$ 216 bilhões e US$ 120 bilhões, respectivamente, e projetou avanço anual de até 80% na receita do trimestre atual.
Dados do mercado mostram que as ações da companhia acumulam alta superior a 13 vezes desde o início de 2023, embora estejam cerca de 8% abaixo do recorde alcançado em outubro, e que, “na quinta-feira, os papéis recuavam cerca de 4,5% no início do pregão”.
Burry retomou posição vendida na Nvidia no terceiro trimestre de 2025, com a posse de US$ 186,58 milhões em opções de venda, segundo a informação disponível publicamente antes do cancelamento do registro do seu fundo junto à SEC.
Reação do mercado e recomendações de analistas
Apesar da queda das ações, muitos analistas mantêm recomendações de compra ou neutras. O UBS reiterou recomendação de compra para a Nvidia, com preço-alvo de US$ 245, citando dados de exportação de Taiwan como sinal positivo.
O braço Wealth Management do UBS, porém, recomenda diversificação no setor de IA, e ressalta a importância de ampliar exposição para capturar oportunidades, sem concentrar risco em um único papel.
Como disse Ulrike Hoffmann-Burchardi, chefe global de ações do UBS Global Wealth Management, “Ressaltamos a importância de ampliar a exposição à IA para capturar toda a gama de oportunidades que a tecnologia oferece”.
O que monitorar a seguir
Investidores e gestores devem acompanhar a divulgação de vendas da TSMC, indicadores de demanda por data centers e a evolução do estoque da Nvidia, pois qualquer desaceleração pode afetar margens e o balanço.
A tensão entre crescimento rápido e compromissos de fornecimento antecipados deixa a empresa exposta a choques de demanda, e o mercado seguirá atento aos próximos relatórios e às decisões de fornecedores e clientes.