Uma operação deflagrada nesta terça-feira busca desarticular um **esquema de tráfico com PMs ligados ao CV** no Rio de Janeiro, envolvendo transporte de entorpecentes e comércio ilegal de armas.
Mandados de prisão foram cumpridos por equipes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, do Gaeco e da Corregedoria da Polícia Militar, com ordens judiciais da 16ª Vara Criminal da Comarca da Capital.
Até a mais recente atualização desta reportagem, três pessoas haviam sido presas, conforme informação divulgada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ).
Como começou a investigação
As apurações se iniciaram em outubro de 2023, quando a DRE prendeu em flagrante o então policial militar da ativa Yuri Luiz Desiderati Ribeiro e Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como “Kiko”, durante o transporte de uma carga de mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil.
O caso inicial levou a DRE a aprofundar a investigação, que apontou não se tratar de um episódio isolado, mas de uma estrutura organizada responsável pela aquisição, transporte e distribuição de grandes quantidades de drogas e armamentos destinados ao Comando Vermelho.
Quem são os investigados e suas funções
Segundo a PCERJ, Marcos Leandro de Oliveira Serra, o “Kiko”, tinha papel relevante na articulação logística do tráfico, mantendo contato direto com lideranças do CV para viabilizar transporte e abastecimento em áreas controladas pela facção.
A investigação também identificou Manoel Cinquine Pereira, o “Paulista”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha, responsável por articular compra e distribuição de drogas e armamentos, e por coordenar integrantes responsáveis pelo abastecimento da facção.
Entre os denunciados estão ainda o policial militar Eric da Silva Lobato, citado como participante de um esquema de comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios, e Luciano Santos de Oliveira, o “Hot Wheels”, apontado como liderança do tráfico em comunidades de São João de Meriti.
O papel dos PMs na estrutura criminosa
As apurações apontam que policiais militares colocaram sua condição de agentes de segurança pública a serviço de atividades ilícitas, atuando em colaboração com a organização criminosa.
Entre as práticas atribuídas aos PMs estão o fornecimento de **informações privilegiadas** sobre operações policiais e o envolvimento em negociações clandestinas de armamentos e munições, favorecendo o CV.
Ainda segundo as investigações, integrantes do braço armado da facção, como Paulo Victor Soares de Melo, Leonardo Aguiar da Silva e Kauan Soares Omero, conhecido como “Do Serrão”, exerciam funções de segurança de lideranças e vigilância territorial, mantendo o domínio criminoso nas áreas de atuação do Comando Vermelho.
Impacto e próximos passos da operação
A operação em curso, coordenada pela DRE-CAP, pelo Gaeco do MPRJ e pela Corregedoria da Polícia Militar, cumpre mandados expedidos pelo Juízo da 16ª Vara Criminal da Comarca da Capital, com o objetivo de desarticular a cadeia logística identificada pelos investigadores.
A Polícia Civil informou que a morte do policial Yuri Luiz, assassinado em 12 de julho deste ano no bairro do Pechincha, em Jacarepaguá, não interrompeu as apurações, que permitiram identificar outros envolvidos e aprofundar a investigação sobre a atuação de agentes públicos em benefício do crime organizado.
As autoridades prometem novas ações a partir das informações obtidas, e a investigação deve seguir para medidas como prisões preventivas, pedidos de apreensão de bens e apreensão de material probatório que confirme a extensão do **esquema de tráfico com PMs ligados ao CV**.

