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Paraguai em Ascensão: Impulsionado por Aliado de Trump, o país atrai investidores com impostos baixos e reformas audaciosas

Paraguai vive ‘renascimento de um gigante’ atraindo capital estrangeiro e investidores com políticas fiscais agressivas.

Espremido entre gigantes como Brasil e Argentina, o Paraguai, por muito tempo, foi um país ignorado pela comunidade internacional. Sua condição de nação sem litoral e com histórico de pobreza o relegava a um papel secundário no cenário global. Contudo, uma transformação surpreendente tem ocorrido.

Empreendedores de toda a América Latina estão voltando seus olhares para o país, atraídos por um pacote de incentivos fiscais e um ambiente de negócios cada vez mais favorável. Essa mudança de cenário reflete-se no aumento expressivo de pedidos de residência e na expansão da infraestrutura urbana.

O presidente Santiago Peña, alinhado com a política externa de Donald Trump, tem promovido ativamente o Paraguai como um destino seguro e promissor para investimentos. Essa estratégia tem rendido frutos, com o país alcançando status de crédito de grau de investimento por agências de rating internacionais. Conforme informações divulgadas pela Bloomberg.

O “Renascimento de um Gigante” sob Peña

O presidente conservador Santiago Peña, um economista de 47 anos, tem colocado o Paraguai no mapa global de investimentos. Desde que assumiu o cargo em agosto de 2023, Peña já realizou mais de 50 viagens internacionais para divulgar o país como um destino aberto a negócios. Ele demonstrou apoio à iniciativa de Donald Trump de fortalecer a influência dos Estados Unidos na região.

Essa aproximação foi evidenciada quando Peña participou de uma reunião com líderes latino-americanos em Miami, convocada pelo presidente americano para coordenar ações de segurança. O subsecretário de Estado americano, Christopher Landau, destacou a postura do Paraguai, afirmando que o país é um “grande amigo” dos Estados Unidos, citando seu histórico de votações na ONU e o reconhecimento contínuo de Taiwan.

Alinhamento Estratégico com os EUA e Distanciamento da China

Em uma região fortemente dependente do comércio e investimento chinês, o Paraguai se destaca como a única nação sul-americana a manter relações diplomáticas com Taiwan. Essa decisão estratégica, mantida desde 1957, impede o país de exportar produtos como carne bovina e soja para a China e de receber investimentos bilionários em infraestrutura de Pequim.

Apesar de Washington ainda não ter acelerado seus investimentos diretos, como a ausência de voos diretos entre Assunção e os Estados Unidos, um acordo de defesa foi aprovado pelo parlamento paraguaio, permitindo a entrada de tropas americanas no país. Peña descreve sua visão para o Paraguai como o “renascimento de um gigante”, remetendo a um período de prosperidade no século XIX.

Reformas Econômicas e Atração de Investidores

As políticas fiscais e monetárias sólidas implementadas no Paraguai desde o início dos anos 2000 começam a render frutos significativos. O país tem mantido uma inflação de um dígito e um crescimento anual em torno de 4% nas últimas duas décadas, superando a média de outras nações sul-americanas.

O presidente Peña projeta que o Paraguai em breve terá a maior renda per capita da América do Sul, ultrapassando Uruguai e Chile. Essa perspectiva otimista tem atraído investidores, incluindo muitos estrangeiros, que buscam oportunidades em setores como indústria e imóveis. No ano passado, as autoridades de imigração registraram quase 50 mil pedidos de residência, com brasileiros representando cerca de metade desses pedidos.

Lei de “Maquila”: Motor de Crescimento e Atração

Um dos principais pilares da atração de investimentos estrangeiros é a Lei de “Maquila”, um regime de produção industrial por encomenda. Essa lei permite que empresas estrangeiras operem no Paraguai com uma carga tributária extremamente reduzida, focando na produção para exportação.

Felipe Bertolini, um investidor brasileiro que se mudou para o Paraguai, exemplifica essa tendência. Ele critica a alta carga tributária no Brasil, que torna o empreendedorismo inviável, levando empresas a fecharem suas portas no Brasil e se estabelecerem no Paraguai. A lei de “maquila” tem impulsionado setores como o têxtil, com empresas exportando milhões de peças para mercados globais.

Desafios e Perspectivas Futuras

Apesar do notável crescimento econômico, o Paraguai enfrenta desafios significativos. O país é apontado como um dos mais corruptos da América do Sul, segundo a Transparência Internacional. Além disso, mais de 60% da força de trabalho atua na economia informal, e cerca de um quinto da população ainda vive abaixo da linha da pobreza.

No entanto, os esforços para tornar o Paraguai mais responsável fiscalmente têm surtido efeito na gestão da dívida pública. O país emitiu recordes em títulos de dívida denominados na moeda local, um reflexo da crescente credibilidade de sua economia. O ministro das Finanças, Carlos Fernández, descreveu a emissão mais recente como “um diploma de graduação” para a economia paraguaia, demonstrando a evolução e a confiança no futuro do país. Conforme reportado pela Bloomberg.