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Pesquisa revela que mosquito da dengue Aedes albopictus deposita ovos até 10,8 m em prédios, mostrando risco a moradores de andares altos e falhas no controle

Estudo em torre de seis andares em Manaus mostra que o mosquito da dengue Aedes albopictus deposita ovos até 10,8 metros do solo, com mais de 35 mil ovos coletados durante 10 semanas

Pesquisadores brasileiros avaliaram a capacidade de oviposição do mosquito da dengue Aedes albopictus em uma torre de seis andares, e registraram presença da espécie em todos os níveis testados.

Os experimentos foram feitos em um fragmento florestal urbano em Manaus, com 30 armadilhas instaladas em diferentes alturas, e o monitoramento durou 10 semanas entre as estações seca e chuvosa de 2015.

Ao final do trabalho os pesquisadores encontraram mais de 35 mil ovos, com deposição registrada a até 10,8 metros, e maior concentração até cerca de 4 metros, conforme informação divulgada pelos pesquisadores e publicada na revista EntomoBrasilis.

Como foi o experimento e os números principais

O estudo usou uma torre de seis andares como modelo para avaliar a distribuição vertical da oviposição do mosquito da dengue. Foram instaladas 30 armadilhas ao longo dos pisos, em um fragmento de floresta urbana onde a espécie é abundante e circula entre ambientes silvestres e urbanos.

O trabalho, que durou 10 semanas durante 2015, resultou na coleta de mais de 35 mil ovos. A maior concentração de ovos ocorreu até cerca de 4 metros do solo, porém houve ovos em todos os níveis avaliados, chegando a 10,8 metros.

O que isso significa para moradores de apartamentos

A presença do mosquito da dengue em andares superiores indica que moradores de prédios não estão livres do risco de picadas e da transmissão de arboviroses dentro de suas casas. Em comunicado, um dos autores resumiu o alerta com a seguinte frase, extraída do estudo, “A colonização de andares superiores significa que os moradores de apartamentos não estão isentos do risco de picadas de vetores primários e secundários, estando expostos à transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya dentro de suas residências”, afirma um dos autores do estudo, Adriano Nobre Arcos, pesquisador do Inpa, em comunicado.

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Segundo os pesquisadores, a existência de locais de descanso, recipientes com água para colocar ovos e fontes de sangue, humanos e animais domésticos, favorecem a presença dos mosquitos em prédios. A redução ou eliminação de abrigos no solo também pode levar os insetos a buscar criadouros em andares mais altos.

Impacto nas estratégias de controle e vigilância

Os autores avaliam que as descobertas revelam lacunas nas medidas de controle atuais, que costumam priorizar a busca por focos em quintais e no térreo. Em cidades com forte expansão de edifícios residenciais, as equipes de vigilância precisam incluir andares superiores nas rotinas de vistoria e manejo de criadouros.

Incluir andares altos em ações de controle pode exigir adaptação de protocolos, capacitação de equipes e comunicação dirigida aos moradores, para que eliminem recipientes com água e reduzam pontos de descanso favoráveis ao mosquito da dengue.

Próximos passos da pesquisa

Os pesquisadores, em parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia Inpa, a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado FMT-HVD, a Universidade Federal do Maranhão UFMA, a Universidade Federal do Paraná UFPR e a Universidade Estadual de Londrina UEL, apontam como próximos passos entender como o mosquito alcança andares mais altos e quais serão os efeitos das mudanças climáticas e da sazonalidade a longo prazo nos hábitos do inseto.

Os resultados completos foram publicados na revista EntomoBrasilis, e indicam a necessidade de revisar práticas de vigilância em áreas urbanas onde Aedes albopictus e outros vetores circulam entre ambientes silvestres e residenciais.

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