Petrobras mira em 35% da demanda nacional de fertilizantes até 2028 com reativação de Fafens
A Petrobras planeja suprir 35% da demanda brasileira por fertilizantes nitrogenados em 2028. O anúncio foi feito pela presidente da estatal, Magda Chambriard, em coletiva de imprensa, detalhando a estratégia de recolocar a empresa no setor e diminuir a dependência de importações, que atualmente representam cerca de 85% do consumo nacional.
A meta ambiciosa será alcançada com a plena operação das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafens) na Bahia e em Sergipe, além das unidades no Paraná e Mato Grosso do Sul. Essa retomada é um pilar central da política do governo Lula para fortalecer a produção interna e a autonomia do país no suprimento de insumos agrícolas essenciais.
Conforme informação divulgada pela Petrobras, as unidades da Bahia e Sergipe já iniciaram suas operações em janeiro deste ano. Juntas, essas plantas são capazes de produzir amônia, ureia e Arla 32, com investimentos iniciais de R$ 38 milhões em cada. O gás natural é a principal matéria-prima utilizada, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará a unidade da Bahia em breve, acompanhado pela presidente da Petrobras, para acompanhar de perto os avanços.
Amônia e Ureia: Insumos Vitais para o Agronegócio e a Indústria
A amônia é a base para a produção de fertilizantes nitrogenados, sendo também matéria-prima para a ureia. Este último composto é amplamente utilizado na agricultura para nutrir as plantações, mas também encontra aplicações nas indústrias têxtil, de tintas e de papel e celulose. O Arla 32, outro produto das Fafens, é um agente redutor essencial para o controle de emissões em veículos a diesel.
Expansão da Produção e Redução da Dependência Externa
Com a reativação da Fafens na Bahia e em Sergipe, somadas à unidade de Araucária, no Paraná, já retomada, a Petrobras estima que essas plantas suprirão 20% de toda a demanda nacional de ureia. A meta de 35% em 2028 será consolidada com a conclusão das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. Este empreendimento já conta com cerca de 80% das obras concluídas.
“Com as quatro unidades em 2028, seremos capazes de produzir cerca de 35% de todo o fertilizante nitrogenado que o Brasil demanda. Fertilizante é importante para o Brasil e para a Petrobras. E vamos ampliar o uso do gás natural”, declarou Magda Chambriard. Ela destacou ainda que a Bahia receberá investimentos significativos em exploração e produção, com o objetivo de mais que dobrar a produção no estado, além de investimentos na produção de biodiesel.
Histórico das Fábricas de Fertilizantes e o Foco em Segurança Energética
A fábrica de fertilizantes da Bahia, localizada em Camaçari, terá capacidade para produzir 1.300 toneladas diárias de ureia, representando 5% do mercado nacional. Em Sergipe, a unidade de Laranjeiras produzirá 1.800 toneladas por dia, correspondendo a 7% da demanda. A unidade do Paraná contribuirá com 8%, e a UFN III com 15%. A retomada dessas unidades é vista como crucial para a segurança energética e econômica do país.
As unidades da Bahia e Sergipe foram arrendadas pela Petrobras à Unigel em 2019, mas a operação foi paralisada em 2023. Após negociações e a intervenção do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou riscos de prejuízo, a Petrobras retomou a posse das fábricas em junho de 2024, sinalizando um novo capítulo na estratégia da estatal em fertilizantes.