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Petróleo em Alta: Goldman Sachs Aumenta Previsão de Juros no Brasil e Alerta para Inflação Global

Goldman Sachs eleva projeção da taxa de juros no Brasil devido à alta do petróleo e riscos inflacionários globais

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio e as crescentes preocupações com o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz levaram o Goldman Sachs a revisar suas projeções macroeconômicas para 2026. A escalada dos preços do petróleo Brent, que pode superar recordes históricos, impõe um cenário de maior inflação e aperto nas condições financeiras globais.

O impacto desse chamado “imposto global” energético não se restringe aos combustíveis, afetando toda a cadeia produtiva e pressionando os custos de transporte e energia. A América Latina, mesmo geograficamente distante, sentirá um “efeito cascata” significativo, com projeções de inflação regional revisadas para cima.

Diante deste cenário, o Banco Central brasileiro pode ter que recalibrar sua política monetária. O Goldman Sachs ajustou sua expectativa para a taxa Selic, indicando um ciclo de flexibilização mais cauteloso. As informações são de um relatório divulgado pela equipe de Commodities do banco.

Choque Energético e Inflação Global

O Goldman Sachs projeta que o preço médio do petróleo Brent em 2026 seja de US$ 85, mas alerta que a persistência do conflito no Oriente Médio pode levar a commodity a ultrapassar o pico histórico de 2008. Essa alta do petróleo funciona como um “imposto global”, alimentando uma inflação resistente e apertando as condições financeiras mundiais.

A projeção de inflação para a América Latina foi elevada de 6,6% para 7,6% em 2026. O banco destaca que o risco para os preços ao consumidor se estende para além dos combustíveis, pois as commodities energéticas são insumos essenciais para o transporte e a geração de energia, impactando diretamente os custos de manufatura.

Um fator adicional de pressão vem da China, onde o Índice de Preços ao Produtor (PPI) saiu de um período de deflação para território positivo, o que pode pressionar os preços globais de bens. O aumento nos custos de fertilizantes e fretes internacionais também contribui para a alta dos preços de alimentos e produtos importados na região.

Impacto na Política Monetária e no Brasil

Bancos centrais latino-americanos, que poderiam tentar “ignorar” o choque inicial de oferta, deverão ser forçados a ajustar suas políticas monetárias devido à deterioração das expectativas de inflação e aos efeitos secundários. Especificamente no Brasil, que recentemente realizou seu primeiro corte na taxa básica de juros em anos, o cenário de inflação mais alta e expectativas crescentes levou o Goldman Sachs a revisar a projeção da taxa Selic para 12,75% ao final de 2026, ante 12,50% anteriormente.

A análise do banco sugere que a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentar as taxas ou interromper o ciclo de queda permanece elevada. O Goldman Sachs agora projeta um caminho de flexibilização monetária “muito mais defensivo” para o Brasil.

Outros países da região também sentem o aperto. No México, o corte de juros previsto para junho foi adiado para setembro, seguindo a sinalização do Federal Reserve (Fed) dos EUA. A Colômbia é apontada como um caso mais grave, já imersa em um ciclo de aperto devido a pressões inflacionárias pré-existentes ao choque atual.

Efeitos no Crescimento e Cenários de Risco

O Índice de Condições Financeiras (FCI) do Goldman Sachs subiu cerca de 35 pontos-base desde o final de 2025, refletindo o aperto nas condições financeiras globais. O banco estima que o choque atual subtraia 0,4 ponto percentual do crescimento do PIB global, podendo chegar a 1,2 ponto percentual em um cenário “severamente adverso”.

Para a América Latina, o impacto no crescimento varia. Um aperto de 25 pontos-base nas condições financeiras globais pode reduzir o crescimento regional em 0,24 ponto percentual após um ano. O Brasil e o Equador mostram maior sensibilidade, enquanto o Peru é menos afetado. A previsão de crescimento para o Brasil em 2026 foi revisada para baixo, para 1,9%, refletindo o ambiente de inflação mais alta, o ciclo de juros mais defensivo e a sensibilidade ao aperto financeiro.

O Equador foi o único país com revisão para cima (+10 bps) em suas projeções de crescimento, beneficiado pela dependência de receitas de exportação de petróleo. Em um cenário “severamente adverso”, onde o preço do Brent pode atingir US$ 115 em 2026, os bancos centrais podem ser forçados a priorizar o crescimento sobre a inflação, utilizando intervenções cambiais e políticas comerciais para evitar um colapso econômico maior.

Gestão de Custos e Perspectivas Futuras

A forma como os governos lidam com o custo do petróleo mais caro é outro ponto crucial. Países como Chile e Peru optaram por repassar o aumento aos consumidores, o que gera inflação imediata mais forte, mas protege o balanço do governo. Já Brasil, México e Colômbia tendem a usar subsídios diretos e desonerações, o que pode pesar sobre as contas fiscais ou limitar receitas inesperadas.

O relatório do Goldman Sachs baseia-se em um cenário de interrupção de seis semanas no fluxo de petróleo, seguido por uma recuperação gradual. No caso base, o Brent deve atingir uma média de US$ 85 em 2026 e US$ 80 em 2027. Contudo, interrupções mais longas poderiam elevar o preço do Brent acima de US$ 100 em 2026, chegando a US$ 115 em um cenário “severamente adverso”.

Por outro lado, os analistas observam que um fim antecipado das hostilidades militares poderia reduzir rapidamente o prêmio de risco. Além disso, espera-se um aumento global nos estoques estratégicos de petróleo em resposta aos riscos de produção concentrada, mantendo os preços sob pressão em horizontes mais longos.