Aguarde, Carregando

PF descobre mensagens de ex-chefe de gabinete de Lula atuando como canal do Banco Master no Planalto para pressionar Banco Central

Investigações da Polícia Federal expõem articulações de ex-assessor do Planalto para favorecer interesses do Banco Master em Brasília

Um novo capítulo envolvendo o Palácio do Planalto surgiu após a revelação de documentos sigilosos da Polícia Federal. Mensagens extraídas de aparelhos celulares apontam que o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, teria atuado como um canal de influência para o Banco Master.

O caso coloca em xeque a conduta de um dos assessores mais próximos do presidente Lula na época. O material obtido pelos investigadores detalha como aliados tentaram usar a estrutura do governo para pressionar a autoridade monetária em negociações complexas envolvendo o setor bancário.

Conforme informações divulgadas pela investigação, as trocas de mensagens ocorreram em julho de 2025, revelando bastidores de uma tentativa de interferência política no Banco Central do Brasil.

Pressão contra o Banco Central e o papel de Marcola

As mensagens foram encontradas em um grupo de WhatsApp chamado Amigos, no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O advogado Walfrido Warde, que representava Vorcaro, cobrou diretamente que Marcola levasse reclamações ao presidente Lula para emparedar o Banco Central.

O motivo da pressão era a barreira técnica imposta pelo regulador à venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). O advogado escreveu: @Marco Aurélio Marcola teremos de ir pra cima do Bacen. Peço pra avisar o presidente. Sinto muito. Mas não dá mais. O Gabriel, não tem estofo pro cargo.

Em resposta à solicitação, Marcola demonstrou prontidão ao responder na plataforma: Vixe. Blz. Avisarei aqui. Dou notícias. O diálogo sugere uma tentativa de utilizar o acesso privilegiado ao presidente para contornar decisões técnicas da autarquia.

Anúncios

Histórico de polêmicas e o desfecho da fusão

Este não é o primeiro escândalo envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro. O ex-assessor já havia sido desligado do governo após ser citado no chamado Escândalo do INSS, onde é investigado por receber um empréstimo suspeito de R$ 249 mil de uma empresária apontada como operadora de fraudes previdenciárias.

Apesar da intensa movimentação nos bastidores, a tentativa de forçar a aprovação da venda do banco não teve sucesso. Em setembro de 2025, o Banco Central manteve sua autonomia e rejeitou a fusão entre o Banco Master e o BRB, citando inconsistências graves nos balanços e indícios de gestão fraudulenta.

Defesa e posicionamento do Planalto

Após a repercussão do caso, a defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro se manifestou. Os advogados admitiram a veracidade das mensagens, mas sustentaram que as respostas de Marcola eram apenas respostas educadas e encaminhamentos protocolares, sem qualquer intenção de interferir indevidamente.

Por sua vez, o Palácio do Planalto informou que o presidente Lula não tinha conhecimento prévio das conversas mantidas por seu ex-auxiliar. O governo reiterou, em nota oficial, que mantém total respeito pelas decisões técnicas e institucionais tomadas pelo Banco Central.

Rolar para cima