PF detalha continuidade de negociação de imóvel para Jaques Wagner após prisão de Daniel Vorcaro, revelando novas táticas.
A Polícia Federal aponta que as negociações de um apartamento de luxo, destinado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), não pararam com a primeira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro em novembro de 2025. Um relatório sigiloso, liberado nesta quinta-feira (30) pelo ministro André Mendonça, do STF, e confirmado pelo O Globo, detalha como os envolvidos teriam adotado novas estratégias para prosseguir com o negócio e despistar a investigação.
Mensagens e documentos apreendidos indicam que, mesmo após a deflagração da operação, os envolvidos teriam buscado formas de dar continuidade às tratativas, dificultando a identificação do negócio pela PF. O imóvel em questão, um apartamento de 245 metros quadrados no empreendimento Poème Horto, no bairro Horto Florestal, em Salvador, está avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões.
O relatório da PF descreve um complexo esquema que envolvia a participação de figuras-chave, como Augusto Lima, apontado como ex-braço direito de Daniel Vorcaro no Banco Master, e o advogado Daniel Monteiro, identificado como operador financeiro responsável por estruturar vantagens indevidas a autoridades. A investigação sugere que a negociação prosseguiu por meio de intermediários, como Guilherme Sodré e os irmãos Daniel e Davi Lopes Monteiro, mesmo após a prisão de Vorcaro.
Novas Manobras Contratuais para Ocultar o Negócio
Segundo a Polícia Federal, as tratativas sobre o imóvel continuaram após novembro de 2025, com a execução de novas manobras contratuais. O objetivo, de acordo com os investigadores, era evitar a descoberta do negócio ilícito. A PF registra que essas alterações contratuais buscavam dificultar a identificação da real destinação do apartamento, sugerindo uma tentativa de ocultar a vinculação do imóvel ao senador Jaques Wagner.
Estrutura Financeira Complexa para Aquisição do Imóvel
O relatório descreve que a aquisição do apartamento foi realizada por meio de uma estrutura financeira complexa. Esta estrutura envolvia fundos de investimento ligados ao Banco Master e à gestora Reag, então controlada por João Carlos Mansur. Além disso, empresas e pessoas físicas associadas a Daniel Monteiro, seu irmão Davi Monteiro e Valério Marega Júnior, gestor da WNT, também participaram da operação.
Operadores Financeiros e Tentativa de Dissociar a Titularidade
Para a PF, Daniel Monteiro e Valério Marega Júnior atuavam na criação de estruturas financeiras com o propósito de ocultar operações ilícitas. O documento os identifica como “comprovadamente operadores financeiros dos gestores do Master, especializados na criação de estruturas financeiras, usualmente via fundos de investimentos, para ocultar transações ilícitas”.
A investigação também aponta para uma “aparente intenção de dissociar a real titularidade do imóvel”. A condução das negociações e a participação de terceiros na formalização dos documentos reforçariam a tese de uma tentativa de ocultar a vinculação do apartamento ao senador Jaques Wagner.

